Cultura

Rádio Universitária do Minho, e outras, conquistam comunidades extra academias

As rádios universitárias deixaram de ser só para estudantes e têm vindo a entrar no panorama radiofónico regional, equiparando-se às rádios locais, e desempenhando um papel na sociedade, defende a Associação Portuguesa de Radiodifusão.

“Ainda que ligadas às universidades, são rádios como as outras, desempenham um papel na sociedade e no panorama radiofónico, e estão em pé de igualdade com as outras”, disse à agência Lusa o presidente da Associação Portuguesa de Radiodifusão, José Faustino.

Este são os casos da Rádio Universitária do Minho, que emite em 97.5 FM, da Rádio Universidade de Coimbra, que emite em 107.9 FM, e da Rádio Universitária do Algarve, cuja frequência é 102.7 FM.

Todas elas partilham o facto de se considerarem rádios locais, apesar de terem nascido no seio académico.

“A Rádio Universidade de Coimbra (RUC) não é totalmente uma rádio universitária, é uma rádio local, que tem uma grande ligação à academia, à associação académica e à universidade”, disse à agência Lusa o presidente João André Oliveira.

João André Oliveira considera que em termos de informação e de programação, a RUC se demarca das restantes rádios que se ouvem na zona, porque dá “muito interesse e muito foco não só à cidade mas, antes disso até, àquilo que se passa na academia, na associação académica e na universidade”.

A Rádio Universitária de Coimbra nasceu há 29 anos na academia mais antiga do país, e atualmente conta com cerca de 100 colaboradores.

Quanto aos ouvintes, o presidente reconhece que, a par dos estudantes, “muitas pessoas de meia-idade e muitas pessoas que infelizmente estão desempregadas, ouvem [a RUC], acima de tudo nos espaços matinais”.

Também a Rádio Universitária do Minho se afirma como uma rádio local

 

O locutor Sérgio Xavier disse à Lusa que a RUM “nunca esqueceu os estudantes universitários, mas sempre teve em atenção o universo extra universidade”.

“Claramente somos uma rádio local, principalmente em Braga e em Guimarães, que são os focos, mas não esquecemos Viana, Barcelos, Famalicão e o Porto também”, continuou.

A RUM tenta então “ser uma ponte entre a cidade e a universidade, no sentido de divulgar coisas que acontecem na universidade para a comunidade”.

Apesar de reconhecer que é difícil saber quem ouve a rádio, Sérgio Xavier afirma que, “pelo ‘feedback’, são jovens a partir dos 20 e poucos anos, até aos 40, 40 e tal”.

A RUM foi fundada em 1989, pela Associação Académica da Universidade do Minho, “como uma forma de protesto contra o aumento das refeições da cantina”, afirmou o locutor.

A Rádio Universitária do Algarve (RUA) é a mais nova das três.

Fundada em finais dos anos 1990, nasceu com o objetivo de ser “feita por estudantes, ou seja, uma imagem da academia”, declarou o diretor de Antena Pedro Duarte.

Porém, “a informação, acima de tudo, é regional”, assume o diretor.

Atualmente, os ouvintes já não são só os estudantes.

Pedro Duarte referiu que a RUA também tem ouvintes de “faixas etárias que não seriam propriamente as dirigidas” para uma rádio universitária, acrescentando que é um fenómeno interessante utilizarem “linguagem mais jovem e depois a resposta vem de pessoal que se mantém jovem por dentro”.

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