País

Aumento de danos provocados por Lobos em debate no Gerês

O Museu Etnográfico de Vilarinho das Furnas em parceria com o Município Terras de Bouro vai acolher, na terça-feira, 24 de fevereiro, pelas 20h00, uma reunião onde serão discutidas soluções para a diminuição dos conflitos causados pelos prejuízos provocados pelo Lobo-ibérico aos criadores de gado no Gerês.

Promovida pela Associação de Compartes de Campo do Gerês, esta sessão conta com a presença de representantes de entidades oficiais, grupos de defesa ambiental, criadores de gado das freguesias vizinhas, entidades gestoras dos terrenos comunitários e associações de criadores de raças autóctones da região.

De relembrar que o assunto está na ordem do dia, depois do secretário de Estado da Conservação da Natureza, Miguel de Castro Neto, ter afirmado, na passada terça-feira, 10 de fevereiro, que se a população de Lobo-ibérico aumentar até um determinado número terão que ser ponderadas novas medidas, chegando mesmo a admitir a possibilidade de caça.

“Se se confirmar que a população de lobo aumentou [atingindo determinados níveis], outras medidas” terão de avançar “e uma delas a atividade cinegética”, disse Miguel de Castro Neto, na Assembleia da República, na Comissão do Ambiente, Ordenamento do Território e Poder Local, citado pela Lusa, a propósito de notícias divulgadas sobre este assunto.

A Quercus, Associação Nacional de Conservação da Natureza, em comunicado, considerou as declarações do secretário de Estado “infelizes e despropositadas” e defende que a solução para a minimização destes prejuízos passa pela tomada de “medidas adequadas de maneio e proteção do gado de modo a prevenir ataques de lobo”, mas também “pelo pagamento de indemnizações com valores adequados que cubram efetivamente os prejuízos causados” e cujos pagamentos sejam efetuados com brevidade.

De notar que, desde 1998, a legislação portuguesa penaliza quem matar um Lobo-ibérico, pelo seu estatuto de Espécie Protegida e indemniza os produtores de gado quando os Lobos causam algum dano. De acordo com informação disponibilizada na página de Internet do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), “o valor anual de indemnizações corresponde a cerca de 700.000 €, aos quais correspondem cerca de 2500 ataques atribuídos ao lobo por ano”.

O Censo Nacional do Lobo-ibérico (2002 e 2003) indicou a existência de 63 alcateias em Portugal, sendo que 54 localizam-se a norte do rio Douro, informa o ICNF.

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