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Braga: Responsável pela segurança do Theatro Circo condenado por acidente de criança

O Tribunal Judicial de Braga condenou hoje o diretor técnico responsável pela segurança do Theatro Circo, naquela cidade, a 1.500 euros de multa, considerando-o culpado pelo acidente que feriu gravemente uma criança de quatro anos.

O arguido foi condenado a 150 dias de multa, à taxa diária de 10 euros, por um crime de ofensa à integridade física por negligência por omissão.

Na leitura da sentença, o juiz, Emídio Rocha Peixoto, manifestou a sua “perplexidade” e a sua “séria preocupação” por, passados mais de quatro anos sobre o acidente, ninguém do Theatro Circo ter assumido “qualquer responsabilidade”.

“É chocante, não estamos a tratar de uma unha encravada ou de um atropelamento de alguém que andava distraído. Estamos a falar da grande sala de espetáculos de Braga”, referiu.

Sublinhou que a criança vítima do acidente ficou com sequelas físicas e psicológicas “graves e permanentes”, nomeadamente a nível cerebral.

“Estamos numa sociedade latina e, por isso, estamos habituados a que ninguém assuma as responsabilidades. Noutras sociedades, assume-se logo”, criticou o juiz.

O acidente registou-se a 21 dezembro de 2010, quando uma criança, no intervalo de um espetáculo, caiu de uma altura de 9,5 metros, de um buraco existente junto ao palco e apenas tapado com um pano preto.

O buraco tinha 0,80 metros de altura e 9,80 de largura e não estava sinalizado nem protegido por qualquer grade.

A criança brincava no corredor e foi de encontro ao pano, caindo de uma altura de 9,5 metros e sofrendo uma traumatismo cranioencefálico com fratura e afundamento do parietal esquerdo e fratura da tíbia da perna esquerda.

Esteve 10 dias no hospital, teve uma “penosa recuperação” e ficou com “sequelas graves e permanentes”.

Para o juiz, o técnico responsável pela segurança do teatro foi negligente, porque devia ter tomado medidas para prevenir o acidente, nomeadamente colocando gradeamento na zona do buraco.

O juiz alertou ainda para o “perigo” que considera constituir o palco do Theatro Circo, por causa da altura a que se encontra.

“É um perigo licenciado, mal licenciado mas existe”, referiu.

Após o acidente, o buraco por onde a criança caiu foi tapado com placas de madeira.

Segundo o advogado da família da criança, a questão da indemnização cível está a ser negociada entre as partes, para evitar que o processo chegue a tribunal.

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