Cultura

Igualdade de Género: Homens também já bordam Lenços de Namorados

O auditório da Adere-Minho ganhou esta tarde um colorido especial com a visita dos alunos do Jardim de Infância e da EB1 de Soutelo, numa iniciativa organizada em conjunto com a Junta de Freguesia local. A sessão foi preparada com o intuito de assinalar simbolicamente o Dia da Mulher, que se celebra no próximo 8 de Março, transmitindo aos mais novos conceitos relacionados com a igualdade de género e de oportunidades. No final, houve ainda tempo para empossar um novo embaixador dos Lenços, o cantor José Perdigão. Todos os alunos receberam uma flor, para entregarem às respectivas mães.

Um exemplo taxativo da evolução nesta área é o facto de, cada vez mais, qualquer profissão poder ser desempenhada tanto por homens como por mulheres. Aliás, nas instalações da Adere-Minho mora uma prova viva disso mesmo. “Um dos Lenços mais rico que já vi foi bordado por um homem, utilizando a técnica de ponto cruz. Está nas nossas instalações”, afirmou a directora-geral, Teresa Costa, lembrando à pequenada que numa sociedade moderna e civilizada não pode haver lugar para a discriminação de género.

Teresa Costa aproveitou ainda para dar uma pequena lição de história aos alunos presentes. Lembrou que o Dia Internacional da Mulher se comemorar para honrar a memória de 130 operárias fabris que faleceram enquanto reivindicavam melhores condições de trabalho. Lutavam para diminuir as diferenças que as separavam de homens que desempenhavam as mesmas funções, quando foram trancadas na fábrica onde trabalhavam. De seguida, deflagrou um incêndio que acabou por colocar um triste fim na vida das trabalhadoras que ajudaram a que mulheres por todo o mundo fossem tratadas com mais dignidade no exercício das suas obrigações laborais.

Bordadeiras viram a sua profissão reconhecida recentemente

Algumas bordadeiras de Lenços dos Namorados intervieram na sessão como convidadas especiais. Pessoas que, por incrível que pareça, só há um par de décadas viram o seu labor ser reconhecido com o estatuto de ‘profissão’. Antes disso, esta arte minhota era considerada apenas uma espécie de ‘hobbie’ ou ocupação menor. Partilharam com a audiência as experiências e algumas das dificuldades que enfrentaram ao longo do seu percurso profissional. Apesar das diferenças de ‘currículo’ as intervenções foram concluídas sempre da mesma forma: “Sou muito feliz com aquilo que faço!”. Curiosamente, a experiência das artesãs era muito variada. Entre os testemunhos de pessoas que bordavam há décadas, surgiu também o de uma senhora que começou a dominar a arte quando contava já sessenta primaveras. A mensagem foi clara: “Nunca é tarde para aprender”.

O embaixador que antes de o ser já o era

Durante a tarde, José Perdigão foi também ‘empossado’ embaixador dos Lenços dos Namorados, mas é caso para dizer que ‘antes de o ser já o era’. Isto porque o cantor tinha já o costume de levar Lenços dos Namorados para o estrangeiro nas suas viagens profissionais. Assim, mesmo antes de ser nomeado embaixador já divulgava o ícone vilaverdense pelos quatro cantos do mundo. “Sem a cultura ancestral perdemos a nossa identidade, quando nos tiram as nossas raízes tiram-nos tudo. Primeiro sou minhoto, só depois sou um cidadão do mundo. As minhas raízes têm que estar presentes em tudo o que faço”, afirmou.

José Perdigão pronunciou-se também sobre o tema que marcou a tarde, lembrando que é necessário fomentar a igualdade e acabar com os preconceitos. “Nenhum dos géneros é mais que o outro”, concluiu.

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