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PSD quer eleições intercalares no município de Cabeceiras de Basto, PS refuta

A Distrital de Braga do PSD defendeu hoje a convocação “urgente” de eleições intercalares para o município de Cabeceiras de Basto, face à demissão do presidente da Câmara, China Pereira, eleito pelo PS.

Para o PSD, as eleições intercalares são a forma de “reparar a traição feita à vontade sufragada da população nas últimas autárquicas”.

Contactado pela Lusa, o presidente da Federação Distrital do PS, Joaquim Barreto, sublinhou que a governação do município está assegurada, com a ascensão à presidência do número dois da lista socialista, Francisco Alves.

“Lamentamos que o PSD assuma uma atitude de irresponsabilidade, pretendendo criar ruído com esta situação, que está perfeitamente normalizada”, disse Joaquim Barreto.

O presidente da Câmara de Cabeceiras de Basto, Serafim China Pereira (PS), anunciou na sexta-feira a sua demissão do cargo, por se sentir “humilhado” com as críticas públicas que lhe foram feitas pelo seu partido.

“Nunca imaginei que o PS, ao qual pertenço há 39 anos, pudesse fazer aquilo que nenhum partido da oposição fez”, justificou China Pereira, em comunicado, aludindo a um outro comunicado, datado de 25 de dezembro de 2014, em que a Concelhia socialista o acusou de “falta de palavra”.

Nesse comunicado, a Concelhia do PS criticou o facto de o Executivo liderado por China Pereira ter decidido nomear um segundo vereador a tempo inteiro, alegadamente violando o compromisso assumido com o partido e com os eleitores.

Hoje, em comunicado, a Distrital do PSD diz considerar “absolutamente inaceitável” que um presidente de câmara eleito democraticamente pela população “tenha sido assumidamente destituído e saneado pelo Partido Socialista”.

O PSD afirma ainda repudiar que “divisões internas geradas pela disputa da liderança nacional do Partido Socialista, e que levou à vitória de António Costa sobre António José Seguro, tenham gerado um clima de instabilidade política no interior de instituições democraticamente eleitas e com o dever de servir as populações”.

Para os sociais-democratas, trata-se de “manobras de caciquismo aparelhístico no interior do PS, promovidas pelo anterior presidente da Câmara Municipal e atual presidente da Assembleia Municipal e presidente da Federação Distrital do PS, Joaquim Barreto, um dos mais importantes apoiantes do atual líder do PS, António Costa”.

Por isso, o PSD denuncia “a atitude antidemocrática” do líder distrital do PS.

Repudia ainda “o silêncio e o imobilismo” da liderança nacional do Partido Socialista e do seu secretário-geral, António Costa, “numa atitude denunciadora de aceitação tácita de um caso grave de atentado à democracia e de traição objetiva à população de Cabeceiras de Basto”.

Estas críticas foram devolvidas por Joaquim Barreto, que disse que o líder distrital do PSD, José Manuel Fernandes, “deve pensar que está a ver-se ao espelho”.

“Caciquismo e querer controlar o poder é deixar um familiar na câmara a que se presidiu. José Manuel Fernandes fez isso em Vila Verde [câmara onde a mulher é atualmente vice-presidente], mas eu não fiz em Cabeceiras de Basto”, rematou.

Joaquim Barreto foi presidente da Câmara de Cabeceiras de Basto até às últimas autárquicas, mas não se pôde recandidatar por causa da lei de limitação de mandatos.

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