Vila Verde

É de pequenino que se aprende a respeitar os animais

As crianças da EB1 e do Jardim de Infância de Oriz receberam, ao início da tarde de hoje, a visita da Associação para a Defesa dos Animais e Ambiente de Vila Verde (ADAAVV). O objectivo da sessão, organizada pelo núcleo de Oriz da JSD de Vila Verde, foi sensibilizar os mais novos para a necessidade social de tratar os animais com mais respeito. A tarde arrancou com uma pequena apresentação sobre a matéria, em que os mais jovens se mostraram particularmente atentos e interessados. No final não faltaram questões de um grupo de alunos que, apesar da tenra idade, demonstrou uma curiosidade aguçada.

No entanto, o momento mais aguardado estava reservado para o final, em que a pequenada pôde interagir com alguns animais. Num ambiente de euforia generalizada, todos quiseram acariciar os ‘patudos’, como são carinhosamente apelidados pela ADAAVV. As diferentes intervenções na sessão acabaram por ter um ponto em comum. Todos sublinharam a importância de agir junto das populações mais jovens para preparar o futuro. O desejo é que estas acções de sensibilização dêem frutos, preparando os Homens de amanhã para tratarem com respeito e dignidade os seus amigos de quatro patas. Houve ainda lugar à recolha de alguns sacos de ração e outros bens para apoiar os animais resgatados das ruas pela associação vilaverdense.

“Os maus tratos a animais são crime”

Durante a apresentação, o presidente da ADAAVV realçou a obrigação do ser humano, enquanto espécie dominante no planeta, de “tratar e cuidar dos outros animais”, incumbindo à plateia a tarefa de transmitir aos adultos os conhecimentos que adquiriram. Os ensinamentos foram muitos e de índole variada. Desde a prevenção do abandono, passando também por alguns princípios básicos no tratamento de animais, até à distribuição de pequenos panfletos com conselhos úteis para a sã convivência com os ‘patudos’.

Carlos Castro Dinis aproveitou ainda para lembrar que, desde o final do ano passado, “os maus tratos a animais representam um crime que é punido por lei”, deixando uma missão que os mais novos aceitaram com agrado. “É importante estarem atentos a situações de maus tratos e denunciá-las às autoridades”, frisou. Houve ainda tempo para os alunos ficarem a conhecer mais de perto o trabalho desenvolvido pelas várias vertentes da ADAAVV. “O trabalho com os cães acaba por ser o mais visível, mas estamos disponíveis para colaborar com ameaças a qualquer tipo de animal ou ao meio ambiente em geral”, lembrou Carlos Castro Dinis.

“Merecem a ajuda de todos”

Por sua vez, a promotora da iniciativa, Márcia Costa, inspirou-se na sua experiência pessoal para dar corpo a este evento. Com quatro cães em casa, a líder do núcleo de Oriz da JSD de Vila Verde encontrou, recentemente, uma ninhada de cães que foram abandonados. Apesar de ter uma família canina alargada, não resistiu e abriu-lhes a porta da sua casa até que sejam encontrados novos lares para os cachorrinhos. “Sou de Oriz e conheço a realidade local. Há muitas pessoas que têm dificuldade de alterar costumes próprios de um meio muito rural e acabam por não ter uma noção clara de como tratar os animais. Ainda não vêm um cão como companheiro e não os tratam como deveriam”, referiu, em declarações ao Vilaverde.net.

Márcia Costa lamentou o facto de os encarregados de educação não terem comparecido, apesar de ter sido “enviado um convite a todos”, e deposita esperanças na nova geração para que possam alterar hábitos e sensibilizar os adultos. “Sabemos que agora vão falar disto durante o fim-de-semana com os pais e os amigos. É um pequeno passo que acaba por ser importante, porque é fundamental trazer estes assuntos à ordem do dia”, afirmou, deixando ainda algumas palavras de apreço para a associação vilaverdense. “Conheço a associação, sei das dificuldades que enfrenta e acho que, pelo trabalho que está a desenvolver, merece a ajuda de todos”, concluiu.

ADAAVV terá novas instalações

Apesar das adversidades, a associação vilaverdense parece ter motivos para sorrir. Presente na sessão, o presidente da Câmara Municipal de Vila Verde garantiu ao Vilaverde.net que estão a ser tomadas diligências para que no futuro possa usufruir de “instalações com muito melhores condições”. António Vilela prosseguiu sublinhando que a autarquia está atenta aos problemas de animais vadios no concelho, mas lembrou que a ADAAVV “tem uma capacidade limitada e que as condições de que dispõe não são, para já, as melhores”.

O edil vincou ainda que o elevado número de casos faz com que seja complicado responder a todos os pedidos. “Sempre que no concelho há grandes concentrações de animais, tenta-se minimizar a situação, mas nem sempre é possível apanhá-los rapidamente nem responder a todas as solicitações. No entanto, tentamos agir para que esse tipo de situações não cause perigo para as pessoas”, afirmou. António Vilela aproveitou ainda a ocasião para elogiar o trabalho desenvolvido pela ADAAVV. “Esta associação tem sido uma espécie de almofada entre as obrigações do município e aquelas pessoas que, por falta de consciência, abandonam os animais. Tem sido determinante porque desenvolve uma acção muito concreta no terreno. Além de recolherem e tratarem os animais, também levam a cabo acções de adopção para que possam ter novos donos e continuem a viver com dignidade”, referiu.

“Os alunos ficaram muito entusiasmados”

Em jeito de conclusão, pode-se dizer que a acção foi um sucesso, já que foi esse o sentimento presente na comunidade escolar. “Foi bastante produtivo e os alunos ficaram muito entusiasmados. Esperemos que estas acções se traduzam em menos abandonos e, assim, possamos viver num mundo um pouco melhor”, realçou o professor Álvaro Ribeiro, acrescentando que a interacção entre os alunos e os animais acaba sempre por surtir efeitos positivos. “Essa interacção permitiu aos miúdos receber e dar carinho, o que é extremamente importante”, afirmou.

 

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