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Agentes da PSP de Braga acusam comando de “prepotência” e “perseguição”

Os profissionais da PSP de Braga estão “descontentes” com o “modelo de gestão” aplicado pelo seu comandante, que acusam de “prepotência” e “perseguição” a dirigentes sindicais e alertam que a situação pode pôr em causa a segurança dos cidadãos.

À margem de uma manifestação de profissionais da PSP, esta tarde, que juntou cerca de 50 agentes daquela força policial, o presidente do Sindicato dos Profissionais da Policia, Mário Andrade, acusou o comandante Manuel Gomes do Vale de alterar escalas e horários “porque sim”, de transferir profissionais em período de baixa médica de uma esquadra para outra, levando a perda de rendimentos, e de exercer “pressão” sobre dirigentes e delegados sindicais.

No mesmo sentido, o representante da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia, Paulo Rodrigues, afirmou que o modelo de gestão aplicado naquela esquadra “aproxima-se muito” do que era aplicado antes do 25 de Abril ao “não respeitar” Direitos, Liberdades e Garantias.

“O descontentamento destes profissionais de Polícia tem a ver com o modelo de gestão que o comando está a aplicar, que está a ser feito de uma forma prepotente, está a gerar uma forte conflitualidade interna”, afirmou Mário Andrade.

Segundo o sindicalista, as queixas dos agentes prendem-se com “a gestão de horários laborais, alterações constantes de horários que fazem com que haja uma promiscuidade e obrigatoriedade de trabalhar em horas que estavam como descanso, não-cumprimento da lei sindical de transferência de elementos que estavam de baixa de uma esquadra para a outra trazendo-lhe perca de vencimentos”.

Alterações essas que, referiu, “são feitas naquele dia apenas e só porque o comando entende que aquele dia tem que ser alterado” mas esta não é uma situação que afeta todos os elementos.

“Se for um policial que ande certinho, certinho, não se mexe, se for um outro já se mexe. Aos delegados e dirigentes sindicais tem sido uma constante. Há perseguição total aos elementos sindicais”, disse.

Esta é uma situação que, segundo Paulo Rodrigues, já foi reportada às hierarquias.

“Tentámos junto do comando distrital, por diversas vezes, temos tentado encontrar soluções junto da Direção Nacional, mas entretanto tanto um como outro foram desvalorizando e não nos restou outra alternativa que não tornar público o nosso desagrado”, explicou.

Para aquele dirigente da ASPP/PSP, o “modelo de gestão” aplicado pelo atual comandante “aproxima-se muito daquilo que acontecia há 40 anos”.

“No fundo, o que está a acontecer é que todo o efetivo da polícia de Braga está descontente por causa de atos da hierarquia deste comando, que não respeita Direitos, Liberdades e Garantias”, frisou.

Apesar da situação, que, disse, “se arrasta há três meses”, Mário Andrade garantiu que “atualmente não está posta em causa a segurança dos cidadãos” mas essa realidade pode mudar.

“Receamos que se houver um prolongamento da situação possa ser posta em causa a segurança dos cidadãos, alertou.

No final do protesto, os representantes sindicais foram recebidos pelo comandante, a quem entregaram um memorando no qual explicam as razões do seu descontentamento.

Aos jornalistas, Manuel Gomes do Vale não quis prestar declarações.

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