País

Estudantes da Universidade do Minho entre protestos e apreço na receção ao PM


O primeiro-ministro foi hoje recebido, em Braga, com protestos de uma dezena de alunos da Universidade do Minho mas também com música “oferecida” pela tuna da mesma academia, que lhe deu um CD como símbolo do seu “apreço”.

No âmbito das comemorações do Dia Nacional do Estudante, Pedro Passos Coelho convidou as associações académicas de todo o país para um almoço em Braga, em que apenas não marcou presença a Associação Académica de Coimbra.

No exterior do edifício Gnration, onde decorreu o almoço, uma dezena de estudantes da Universidade do Minho manifestava-se contra os cortes do Governo no ensino superior, tendo recebido o primeiro-ministro com palavras de ordem como “gatuno e aldrabão”.

“Se os cofres do país estão cheios, por que é que não acabam com as propinas”, questionava Francisca Goulart.

Os manifestantes insurgiam-se ainda contra o facto de a Associação Académica da Universidade do Minho ter aceitado o convite para almoçar com o primeiro-ministro.

“Hoje é um dia de luta para os estudantes, não é um dia para almoçar com um Governo que ataca os estudantes”, referiu Luís Peixoto.

À chegada, Passos Coelho acenou aos manifestantes e, já no interior do Gnration foi recebido pela Tuna Universitária do Minho, que cantou e tocou para o chefe do Governo e lhe ofereceu mesmo um CD.

“É o símbolo do nosso apreço”, referiu um representante da tuna.

O líder da Associação Académica da Universidade do Minho, Carlos Videira, desvalorizou os protestos, sublinhando que esta era uma oportunidade que aguardava já há algum tempo para “frontalmente” expor ao primeiro-ministro as reivindicações dos estudantes.

“Há tempo para estar com os estudantes e tempo para estar junto de quem decide, nomeadamente do Governo”, afirmou.

A principal reivindicação é a revisão do regulamento de atribuição de bolsas de estudo, para que se deixe de contabilizar o rendimento bruto das famílias mas sim o rendimento líquido.

Uma revisão que as associações esperam ver concretizada ainda durante esta legislatura, “para que no próximo ano letivo haja mais estudantes a beneficiar das bolsas”.

As associações reclamam ainda a realização de um estudo “sério e rigoroso” sobre o abandono escolar no ensino superior, aprovado há dois anos pela Assembleia da República.

O líder da Federação Nacional das Associações de Estudantes do Ensino Politécnico, Daniel Monteiro, disse que ia aproveitar o encontro com Passos Coelho para manifestar “total oposição” à eventual diferenciação entre universidades e politécnicos no acesso ao ensino superior.

Para Daniel Monteiro, essa diferenciação deve ser feita ao nível das formações ministradas “e nunca numa ótica do ingresso”.

“O ingresso deve ser equitativo, igual e transversal”, defendeu.

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