Vila Verde

PJ investiga privatização de escola profissional de Vila Verde


A Polícia Judiciária (PJ) está a investigar o processo de alienação a privados de 51 por cento do capital de uma escola profissional fundada pelas câmaras de Vila Verde, Amares e Terras de Bouro, confirmaram hoje autarcas daqueles municípios.

O presidente da Câmara de Amares, Manuel Moreira, disse à Lusa que a PJ esteve este mês naquele município, a interrogar os responsáveis do departamento financeiro sobre aquele processo.

“Eu não fui ouvido, mas sei que o anterior presidente o foi”, acrescentou Manuel Moreira.

Também o presidente da Câmara de Terras de Bouro, Joaquim Cracel, confirmou que a PJ esteve naquele município a “recolher dados” sobre a alienação de 51 por cento do capital da Escola Profissional Amar Terra Verde (EPATV).

“Perguntaram-me, entre outras coisas, se considerava que tinha sido um bom negócio para a câmara de Terras de Bouro e eu respondi que sim, porque até ali estávamos a pagar cerca de 100 mil euros por ano para funcionamento da escola e passámos a pagar zero”, acrescentou.

O capital social da escola era detido, a 100 por cento, pelas câmaras de Vila Verde, Amares e Terras de Bouro, mas em 2013, e na sequência da lei 50/2012, aqueles municípios decidiram alienar 51 por cento da sua participação.

Foi aberto concurso público para a alienação, tendo apenas concorrido a empresa Val d’Ensino, criada exclusivamente para o efeito, em janeiro de 2013.

O CDS-PP de Vila Verde classificou o processo de “muito nebuloso” anunciou que o faria chegar ao Ministério Público (MP).

“Há muitas coisas que não cheiram bem em todo este processo, que mais parece um fato à medida para favorecer um lóbi, através de verbas e instalações públicas”, disse, na altura, o então vereador do CDS-PP Daniel Cerqueira.

Contactado hoje pela Lusa, o presidente da Câmara de Vila Verde, António Vilela, reafirmou que o processo foi “totalmente transparente” e adiantou que o foi o próprio município que tomou a iniciativa de entregar no MP “toda a documentação” sobre o assunto, “para que não reste qualquer dúvida”.

“O caderno de encargos foi muito rigoroso, para que a escola não caísse nas mãos de pessoas sem experiência ou que não lhe dessem um rumo adequado”, acrescentou o autarca.

Sublinhou que o facto de ter aparecido um único interessado era a prova de que o negócio não era “tão apetecível quanto alguns querem fazer crer”.

Vilela disse ainda que ninguém da Câmara de Vila Verde foi ouvido pela PJ sobre este assunto.

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