País

Póvoa de Lanhoso: estudantes solidários com docente suspensa por alegado “caso” com aluno menor

Um grupo de estudantes da EB 2,3 Gonçalo Sampaio, Póvoa de Lanhoso, manifestou-se hoje contra a suspensão de uma professora de Físico-Química, decretada após um alegado envolvimento sexual da docente com um aluno de 14 anos.

O advogado da professora, João Magalhães, disse à Lusa que se tratou de uma “manifestação espontânea de solidariedade, carinho e apreço” para com a professora, que diz estar suspensa “sem ninguém saber porquê”.

“Oficialmente, a única coisa que temos é um ofício da escola, com três linhas, que diz que a professora está suspensa por 90 dias. De resto, mais nada. Zero”, referiu.

Os alunos, que seriam perto de meia centena, empunhavam cartazes de apoio à professora, em que exigiam a sua reintegração na escola.

A professora acabou por se deslocar à escola e foi recebida “calorosamente” pelos alunos, com quem trocou “beijos e abraços”.

Segundo João Magalhães, os alunos que participaram na manifestação foram proibidos, pela direção da escola, de entrar no estabelecimento de ensino, mesmo aqueles que tinham tirado a senha para o almoço.

“É uma situação inconcebível e inqualificável. É como se um aluno tivesse passado os portões da escola para ir lá fora dar um beijo ao pai ou à mãe e a direção já não o deixasse entrar por ter tido esse gesto de carinho”, acrescentou.

A Lusa tentou ouvir a diretora da escola, mas ainda não foi possível.

A professora em causa, de 34 anos, está suspensa desde 7 de abril.

A diretora da escola, Luísa Sousa Dias, já tinha alegado, em declarações à Lusa, que se limitou a cumprir a lei, “para salvaguarda” tanto do aluno como da professora em questão.

“Tendo havido algum sururu, alguns indícios de que poderia haver relacionamento íntimo, optou-se, para salvaguarda tanto do aluno como da professora, que ela ficasse sem dar aulas até ao final do ano. É benéfico para todos, porque entretanto as coisas serenam”, afirmou.

Luísa Sousa Dias sublinhou que a professora está apenas provisoriamente suspensa, por um período de 90 dias, uma decisão sugerida pela escola, mas tomada pelo diretor regional de Educação.

“Agora, o caso está nas mãos da Inspeção-Geral da Educação”, disse ainda.

A professora já negou, pública e reiteradamente, qualquer envolvimento amoroso ou sexual com o aluno.

Para o advogado da docente, “as coisas estão a ser feitas ao contrário”.

“Houve um sururu e o que se faz? ‘Prende-se’ para investigar em vez de se investigar para ‘prender’. É uma completa subversão”, criticou João Magalhães.

O causídico admitiu que a professora poderá estar a ser vítima de “alguma ingenuidade”, decorrente da sua “forma aberta de ser” e da sua propensão para “ajudar os alunos com mais dificuldades”.

Segundo João Magalhães, a docente já admitiu que ajudava aquele aluno nas disciplinas em que ele tinha mais dificuldades e que chegou a ir buscá-lo a casa algumas vezes para lhe dar explicações na escola, além de ter mantido com ele alguns contactos telefónicos.

Ajuda que, acrescentou, disponibilizava igualmente a outros alunos.

“Às vezes, nestas idades, os adolescentes confundem as coisas. Onde há apenas preocupação da professora em ajudar os alunos veem outros interesses. Aliás, quem é que já não teve uma paixoneta por uma professora?”, questionou João Magalhães, para reiterar que a docente está “inocente”.

A professora em causa é solteira e, segundo testemunho de colegas, prima por manter com os alunos uma “relação aberta”.

“Veste de uma forma muito informal, à teenager, quase que se confunde com as alunas. Gosta de ir jantar com as turmas, mantém uma relação muito, muito aberta com os alunos”, acrescentam os colegas.

Partilhe esta notícia!

Comentários

topo