Braga Desporto

Município dá luz verde à nova Academia do Sporting Clube de Braga

Braga, 11/09/2015 - CI após reunião de câmara dia 14.09.2015. (Sérgio Freitas)
Nuno Cerqueira
Escrito por Nuno Cerqueira

Foi hoje aprovada, em sede de reunião do Executivo Municipal, a doação dos terrenos localizados na zona envolvente ao Estádio Municipal de Braga para a construção da Academia Desportiva do Sporting Clube de Braga.

A medida hoje aprovada em reunião do Executivo não implica qualquer tipo de custo ou investimento por parte do Município de Braga, sendo que os encargos inerentes à construção da Academia Desportiva ficam inteiramente a cargo do Clube.

A doação dos 12 hectares de terrenos, onde irá nascer a academia de formação do clube arsenalista, cuja concretização será também um enorme apoio para o desenvolvimento do plano desportivo do Município de Braga, uma vez que permitirá directa e indirectamente apoiar outras instituições da Cidade e tornar-se mais um pólo de atracção do Concelho, foi aprovada pela maioria que suporta o Executivo Municipal, com o voto favorável da CDU e com os votos contra do Partido Socialista (PS).

Enaltecendo a postura e os contributos do vereador da CDU, o presidente da Câmara Municipal de Braga, Ricardo Rio, não deixou de notar a “hipocrisia e a falta de coerência” do Partido Socialista que se obrigou a “ouvir a voz do dono” para justificar o voto contra a esta proposta.

“Este é um processo que se arrasta há cerca de seis anos e o PS sempre se mostrou disponível para colaborar e participar. No entanto, ao contrário da CDU, que apresentou propostas e contrapartidas concretas para este processo, o PS manteve-se à margem, facto que demostra que ainda se encontra refém daqueles que no passado achavam que a Academia Desportiva era um projecto imobiliário a ser utilizado em benefício de alguns” referiu Ricardo Rio, acrescentando que “no dia em que determinados terrenos deixaram de ser atractivos para a concretização da Academia, alguém exerceu o seu poder sobre os seus Vereadores justificando assim o voto contra”, disse Ricardo Rio.

“Desde a primeira hora que defendemos que este projecto era importante para o crescimento e sustentabilidade financeira do SC Braga e para propiciar à Cidade inúmeras vantagens desportivas, técnicas e turísticas. No entanto, o apoio do Município a um projecto desta natureza teria sempre de respeitar as fronteiras do razoável, limitando-se à simples cedência de terrenos e nunca à construção ou aquisição de novos terrenos”, explicou o presidente da Câmara Municipal de Braga.

Nesse sentido, o Autarca recordou que em 2011 a Câmara de Braga fez saber que “estava receptiva à apresentação de propostas para a instalação de uma academia desportiva”. Na altura, continuou Ricardo Rio, a Autarquia recebeu diversas propostas de agentes imobiliários, mas como o SC Braga colocou entraves à utilização de alguns dos terrenos apresentados, o processo ficou em “banho-maria”, não passando de um compromisso consensualizado entre todas as forças políticas, constando até no programa eleitoral do Partido Socialista às últimas eleições autárquicas.

Nesse contexto, o SC Braga apresentou uma proposta para que o projecto viesse a ser realizado nos terrenos do Parque Norte, propriedade do Município, e que desde a sua concepção, em 2003, teve apenas a construção do Estádio Municipal e das “ruinas do tempo moderno, designadas de piscinas olímpicas de Braga”, não tendo sido executada qualquer outra obra ao longo de mais de uma década.

O mérito da proposta foi reconhecido por Ricardo Rio, porque “ao contrário do que iria acontecer no passado, em que a Câmara Municipal teria que despender alguns milhões de euros na aquisição de terrenos, para depois os ceder ao SC Braga, o Município, neste caso, além de não ter qualquer custo adicional, consegue a regeneração de uma zona da Cidade sem grande atractividade, tal como, o reaproveitamento de uma despesa desmesurada e obscena (cerca de cinco milhões de euros) efectuada em 2004 aquando da expropriação dos referidos terrenos”, referiu o autarca.

Segundo Ricardo Rio, o argumento jurídico utilizado pelo Partido Socialista para justificar o voto contra “cai por terra, uma vez que o estatuto de utilidade pública, que na altura levou à expropriação dos terrenos, mantem-se como uma das premissas deste projecto da Academia”. No entanto, Ricardo Rio lembrou que “quem viu os seus terrenos expropriados, recebeu um volume de recursos financeiros absolutamente desmesurado e hoje está muito acima do valor actual dos terrenos”, por isso, o edil Bracarense desafiou os responsáveis do Partido Socialista a apresentarem um ex-proprietário de terrenos do Parque Norte que esteja disponível para devolver o dinheiro e ficar com a parcela de terreno.

O apoio ao Sporting Clube de Braga resume-se à cedência dos terrenos e isenção de aplicação de taxas municipais, tal como qualquer outro projecto de interesse público. Em contrapartida, o Clube propõem-se a disponibilizar espaços da Academia para usufruto da população, tais como, espaços verdes e circuitos de manutenção. Existe a garantia de uma redução dos custos de inscrição de 50% para atletas beneficiários do escalão A e de 25% para atletas do escalão B.

A concretização deste projecto irá libertar todos os equipamentos desportivos da Cidade que neste momento estão a ser utilizados pelo SC Braga e que passarão a estar disponíveis, na sua totalidade, para as colectividades do Concelho. A Academia Desportiva apresenta-se ainda mais abrangente e ambiciosa visto que, futuramente poderá servir como centro de acolhimento das Selecções no norte do País, através de uma parceria que já foi apresentada à Federação Portuguesa de Futebol (FPF).
A medida segue agora para apreciação e votação da Assembleia Municipal que terá lugar no próximo dia 25 de Setembro.

Piscina Olímpica poderá ter a mesma solução

No decorrer da referida reunião, Ricardo Rio fez saber que o SC Braga apresentou, na última semana, uma proposta para que o edifício da Piscina Olímpica fosse incluído neste processo. A proposta, que o Autarca vê “com bons olhos”, consistia na reconversão do edifício para um pavilhão multiusos e para receber os serviços sociais do clube, também sem custos para o Município.

“No momento em que essa proposta nos foi dirigida, consideramos que não estavam reunidas as condições para uma análise ponderada. É necessário perceber qual a garantia do modelo de exploração do novo edifício e auscultar o arquitecto do projecto para depois, tranquilamente, tomarmos uma posição concreta sobre esta matéria”, referiu Ricardo Rio, lembrando que o custo total de construção do projecto original da piscina Olímpica de Braga atinge os 25 milhões de euros, sem contar com os custos de manutenção, sendo que até ao momento o Município gastou nesse projecto cerca de 8 milhões de euros.

“Braga necessita de uma Piscina Olímpica, mas esta terá de ser comportável do ponto de vista económico e sustentável financeiramente em termos de manutenção o que, provavelmente, nos obriga um projecto raiz”, afirmou Ricardo Rio, sustentando que esse projecto “não será uma realidade num futuro próximo, visto não haver financiamento público e comunitário para equipamentos desportivos”, concluiu.

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Jornalista - Carteira Profissional Nº CO/1250