Cultura

Mais de dez mil na Senhora do Alívio naquela que é uma das maiores romarias do norte de Portugal (C/FOTOS)

Dez mil pessoas mantiveram a tradição que levou estandartes das 58 paróquias de Vila Verde rumo ao Santuário da Nossa Senhora do Alívio, local de culto na freguesia de Soutelo onde se mistura a lenda de “uma cobra” com o “certo alívio” perante as dificuldades.

Enquanto uns faziam o percurso a pé acompanhando o estandarte da paróquia e escoltados por centenas de escuteiros, outros faziam da “Casa das Promessas” local de passagem obrigatória.

“Vamos ver a cobra”, pedia a pequena Roberta aos pais, enquanto os mais velhos, e amarrados a peças de cera, giravam em torno do santuário e pagavam promessas.

“Pelo menos saímos daqui mais aliviados”, confessava Pedro Antunes, acompanhado de uns primos de Sabariz que traziam o estandarte. “Devem estar aqui mais de 160 estandartes, de santos ou padroeiros, pois cada paróquia vem com três a quatro estandartes”, refere Lurdes Conceição, ao mesmo que tempo que demonstrava orgulho pela romaria religiosa.

Uma das maiores romarias do norte

O arcipestre de Vila Verde, Carlos Lopes, confessa especial admiração pela romaria. “Uma das maiores do norte”, destaca, informando que face às oferendas na Casa das Promessas, a irmandande local planeia um museu.

“Como é possível observar, há ali muitas doações, assim como a curiosidade das cobras, pois há pessoas que entregam frascos com cobras dentro em sinal de fé. Temos que preservar essa tradição e devoção num local com dignidade”, refere Carlos Lopes, que não lança data para o início da obra.

Os negócios do Alívio

A par da fé, curiosidade e tradição, muitos aproveitavam para fazer negócio. “Uma cadeira dois euros e meio. Duas cinco”, dizia uma vendora , numa espécie de “negócio óbvio” de sucesso, pois a missa que se seguiu à peregrinação foi realizada num espaço sem lugares sentados.

Outro dos negócios é o suposto “melão casca de carvalho”, famoso em Soutelo, e o frango no churrasco. “Tudo faz parte da Senhora do Alívio, que nos vai ajudando a combater os medos e aliviar a vida apertada”, frisava Anabela SIlva, que não perdeu a peregrinação que juntou dez mil no Alívio.

Arcipreste de Vila Verde, Carlos Lopes

“As paróquias cedo se fazem à estrada. As que vêm de norte juntam-se em Vila Verde e as de sul há entrada de Soutelo. As pessoas mantêm-se todo dia aqui num ato de fé e de esperança. É um ritual que tem feito crescer este Santuário”

As cobras e a lenda
Na Casa das Promessas é possível observar várias tipos de cobras embalsemadas. Uma deu origem à lenda. Data de 1818, um emigrante do Brasil terá se sentado naquilo que pensava que era um tronco de árvore, mas este mexeu-se. Ao deparar-se com uma jibóia de vários metros, rezou à Senhora do Alívio de Vila Verde, prometendo entregar no Santuário a pele daquela cobra se a conseguisse matar, tendo sido então o seu pedido atendido pela santa.

Fotos: Paulo Mesquita

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