Desporto

Mundial no Gerês indicia crescimento do ‘trail running’ em Portugal

O ultramaratonista Carlos Sá está já em preparativos para a organização do Campeonato do Mundo de ‘trail running’, que vai ser disputado no Parque Nacional Peneda-Gerês (PNPG) a 29 de outubro de 2016.

“Temos o prazer de conseguir o sexto Campeonato do Mundo em Portugal, que partirá das pontes de Rio Caldo, no nosso único parque nacional”, contou o atleta à agência Lusa, descrevendo a prova de 85 quilómetros como “única para o ‘trail’ e para o desporto português”.

Os trilhos do PNPG deverão proporcionar desafios “bastante técnicos”, segundo o organizador da prova, que salienta “a pedra, o granito em abundância, a morfologia do terreno” como condicionantes raras, que acrescem à dificuldade porque “muitos países não têm essas condições de treino”.

Já há seleções que nos contactaram e que vêm para cá em dezembro para tentar conhecer o percurso e o terreno

“Já há seleções que nos contactaram e que vêm para cá em dezembro para tentar conhecer o percurso e o terreno”, avançou o ultramaratonista, sublinhando que a prova “não se esgota no dia do evento, porque vão andar atletas de todo o mundo, durante um ano, a querer visitar, conhecer e a estudar” os trilhos da competição.

Carlos Sá estreou-se a ganhar em ultramaratonas quando participou e venceu, em 2010 numa primeira prova de 100 milhas, “essa distância mítica” que ronda os 170 quilómetros, em França.

Acabei por vencer, logo numa estreia, daí nunca mais parar

“Acabei por vencer, logo numa estreia, daí nunca mais parar”, revelou o atleta catapultado para a fama internacional em 2013, ao vencer a Badwater, considerada como uma das provas mais difíceis do mundo, com 217 quilómetros entre a baía de Badwater (86 metros abaixo do nível do mar) e o monte Whitney (4.421 metros de altitude), os pontos mais alto e mais baixo do território norte-americano.

O atleta de 41 anos entende que o tipo de provas extremas de que se tornou adepto exige uma “capacidade mental muito forte, até mais do que a física”, pelo que recomenda “uma filosofia de vida muito regrada.”

“Não se pode cometer exageros e deve ter-se uma alimentação muito correta. Descansar também é treino. Se andarmos a colecionar maratonas e a correr todos os fins de semana vamos pagar mais tarde”, avisa.

O ultramaratonista congratula-se ainda pela fama que tem conferido à modalidade, apontando que “as corridas de ‘trail’ são já em número superior às corridas de estrada”.

“Temos vindo a crescer imenso, temos atletas novos e outros já com alguma maturidade. A cada ano que passa ganhamos mais experiência nas provas internacionais e acredito que a jogar em casa podemos ter um resultado interessante”, previu o atleta.

Carlos Sá espera que as “cinco ou seis centenas de atletas” de cerca de 50 países previstos para a competição atraiam também “as pessoas para a montanha”, considerando que a prova poderá constituir “um ponto de viragem” para a modalidade em Portugal.

Espero que possamos falar de um ‘trail’ antes e depois do Mundial em Portugal

“Espero que possamos falar de um ‘trail’ antes e depois do Mundial em Portugal”, desejou, mencionando ainda uma prova, de contornos “ainda por definir”, dedicada ao público do mundial de 2016, de forma a cativar novos atletas e “sangue fresco” para a modalidade.

O Mundial vai ter sede logística na cidade de Braga, onde ficarão alojadas as 50 seleções participantes. A corrida parte das pontes de Rio Caldo para percorrer trilhos de Terras de Bouro, Montalegre e Ponte da Barca e terminar na vila de Arcos de Valdevez, num percurso sempre enquadrado pelas serras da Peneda e do Gerês.

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