Braga

Estudo da UMinho diz que 74% dos homens foram vítimas ou agressores na intimidade

Uma investigação da Universidade do Minho (UMinho) concluiu que 74% dos homens já foram vítimas ou agressores em relações de intimidade e sublinha que a vergonha e a dificuldade em autoidentificar-se leva-os a silenciarem essas situações.

O estudo, que visou “mapear o fenómeno da violência doméstica praticada contra os homens na intimidade”, aponta que a violência de caráter psicológico é a prática mais recorrente (humilhação, insultos ou desqualificação do companheiro), indica a UMinho, em comunicado.

Segue-se a violência sexual (obrigação de manter relações sexuais ou a não usar preservativo) com a violência física a ser apontada em último lugar, acrescenta a UMinho.

Segundo os resultados do estudo, coordenado por Marlene Matos, da Escola de Psicologia da academia minhota, o “duplo envolvimento – ser vítima e agressor – “foi a condição mais reportada pela amostra de 1.557 homens envolvidos em relações heterossexuais com os inquiridos a criticarem a “inadequação das soluções disponibilizadas”, a “insuficiência de recursos” e a existência de campanhas de sensibilização pouco inclusivas.

em 2014 houve aproximadamente 6 mil denúncias de homens vítimas junto das autoridades, o que representa cerca de 20% do número total de casos de violência doméstica

Dos 1.557 inquiridos neste estudo, “apenas” 189 assumiram o papel de “vítimas” quando “na realidade o número é superior”, defendem as investigadoras, que apontam “a vergonha e a dificuldade em se autoidentificarem como vítimas de violência na intimidade” como “os principais motivos para o adiamento da denúncia ou do pedido de apoio junto das entidades competentes”.

Para Marlene Matos, “a sociedade não está preparada para ajudar os homens a se reconhecerem como vítimas de maus-tratos”. Isto porque “existe uma ideia de masculinidade que associa os homens a pessoas fortes e autossuficientes e esta interpretação tende a dificultar o processo de reconhecimento e denúncia”.

Naquele estudo, os inquiridos criticam ainda a “inadequação das soluções disponibilizadas”, a “insuficiência de recursos” e a existência de campanhas de sensibilização pouco inclusivas.

“O problema não está na lei, que protege ambos os sexos, mas sim na sua aplicabilidade e na forma como os profissionais olham para os homens que denunciam a violência na intimidade. Estes são muitas vezes ridicularizados e descredibilizados. É preciso haver apoio técnico e jurídico adequado, tal como existe para as mulheres, que continuam a ser o principal alvo neste âmbito”, realça a investigadora.

Marlene Matos, natural de Braga, doutorou-se em 2006 em Psicologia da Justiça pela UMinho, onde é professora desde então, tendo sido coordenadora da Unidade de Psicologia da Justiça da mesma Universidade, que realiza peritagens forenses no domínio penal e civil e intervenções psicológicas com vítimas e agressores.

A especialista tem vindo a desenvolver investigação nas áreas da Psicologia Forense e da Vitimologia, nomeadamente em violência doméstica, tráfico de seres humanos, ‘stalking’ e vitimação múltipla.

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