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José Manuel Fernandes acusado de agir “contra os interesses de Portugal”

O eurodeputado socialista Pedro Silva Pereira defendeu hoje que há muita gente na direita a agir “na sombra contra os interesses de Portugal”, não se batendo por eles ou empurrando para “um conflito aberto” com a Comissão Europeia. Silva Pereira acusou mesmo o vilaverdense José Manuel Fernandes de ser uma dessas pessoas.

“Hoje, infelizmente temos de reconhecer que há muita gente na direita portuguesa a agir na sombra contra os interesses de Portugal, dos portugueses e da economia nacional”, acusou Pedro Silva Pereira, durante uma intervenção nas jornadas parlamentares do PS, em Vila Real.

O eurodeputado e ex-ministro deu dois exemplos, num dos quais nomeou concretamente o eurodeputado do PSD José Manuel Fernandes, a quem acusou de se ter oposto à consagração do princípio do benefício das economias mais afetadas pela crise no plano dos investimentos Juncker, e o segundo exemplo foi uma acusação mais lata acerca da notação da dívida portuguesa pela agência DBRS.

Neste último caso, Silva Pereira afirmou que a agência canadiana disse que o ‘rating’ da dívida nacional “é muito estável, a menos que se abra um conflito aberto com a Comissão Europeia”: “Há muita gente na sombra a trabalhar, disposta a empurrar a Comissão Europeia para um confronto aberto com Portugal, contra os interesses de Portugal, dos portugueses, da economia nacional e do projeto europeu na pior das alturas”.

“Este comportamento, em bom rigor, não é novo, nós já o vimos há uns anos atrás. Esse é o combate, o bom combate, que precisamos de travar, ao serviço dos portugueses, ao serviço da coesão territorial, da convergência, sem o qual não há futuro para o projeto europeu”, acrescentou.

O primeiro exemplo da alegada ação da direita portuguesa contra os interesses de Portugal envolveu uma acusação direta ao eurodeputado do PSD José Manuel Fernandes, durante a discussão do plano Juncker, em que os socialistas “bateram-se muito para que o plano tivesse preocupação com as economias mais atingidas pela crise”.

Segundo Silva Pereira, a proposta foi apresentada primeiro nas comissões e o PS “empenhou-se em que essa preocupação viesse mesmo a ser consagrada, e o representante socialista era um social-democrata alemão, aliás, o líder da representação do SPD alemão no Parlamento Europeu”.

“Insistimos com ele, queríamos garantir que ele estava a ser fiel à orientação e se estava a bater para uma orientação deste fundo Juncker para as economias mais afetadas pela crise. A resposta que ele deu foi extraordinária”, começou por contar.

“Disse ele: ‘eu bem estou a tentar, estive horas a negociar com o representante do PPE a inclusão desse princípio, de que o fundo de investimento Juncker deve apoiar mais as economias mais atingidas pela crise, mas nem queira saber, há lá um deputado português do PSD, que parece que dá pelo nome de José Manuel Fernandes, que é contra e foi contra até ao fim'”, concluiu.

De acordo com o eurodeputado socialista, o social-democrata justificou que já existiam os fundos de coesão para apoiar as economias mais fustigadas pela crise e que estes fundos do plano Juncker se destinavam aos “melhores projetos, os que são mais atrativos para o investimento privado”.

“Resultado: hoje estes fundos estão a ser usados em projetos nas economias mais desenvolvidas da Europa, em Itália, no Reino Unido, alguns em Espanha”, concluiu Pedro Silva Pereira.

O eurodeputado intervinha num painel de discussão em que também falaram os ministros Pedro Marques e Eduardo Cabrita, no primeiro dia das jornadas parlamentares do PS, que terminam no sábado, em Vila Real.

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