Cultura

Festa das Colheitas: Dez opiniões de quem “fez” a festa por dentro

c1Irene Sousa e Dalila Mendes  (Pintura e Bordados)

“É a primeira vez que fazemos exposição do nosso trabalho, e é logo na Festa das Colheitas. Tiramos formação na Adere-Minho, estávamos desempregadas, da restauração e de técnica de eletroencefalograma, e começamos agora a divulgar o nosso trabalho. Gostávamos que houvesse mais apoios, porque também achámos importante que se mantenham as tradições. Se isto desse para viver, era o que fazíamos.”

c2Laurinda Ribeira (Educadora de Infância)

“Acho importante que se envolvam as crianças nas tradições rurais, especialmente em mostras desta dimensão, como é o caso da Festa das Colheitas. As crianças gostam de reviver as tradições, acham divertido, e os pais também, porque até ajudam a preparar tudo e trazem os produtos para vender nas bancas. Alguns até ajudam a vender, o que acaba por criar uma maior confiança entre educadores e encarregados de educação.”

c3Cláudia Vieira e Ana Rita Ferreira (Estudantes)

“Estamos aqui em representação da Escola Amar Terra Verde, em particular do curso de Técnica Auxiliar de Saúde. Medimos a tensão gratuitamente e mostrámos todo o leque de curso que a nossa escola tem para oferecer. É sempre bom este tipo de iniciativas porque chama muita gente. A surpresa tem sido pessoas de idade jovem a medir a tensão, e pessoas já adultas a procurar os cursos, quando o normal seria ao contrário”.

c4Camila Silva (Aliança Artesanal)

“Esta feira ajuda a divulgar os produtos que fazemos, já é a décima quinta vez que cá estou, e acho que se deveria manter, mas com a música mais baixa (risos). Tem havido boa afluência por parte das pessoas, mostram-se interessadas nos nossos produtos, mas o poder de compra já não é o mesmo. Os meus produtos são as peneiras e os candeeiros, mas aqui vendemos um pouco de tudo, somos oito vendedores através da Aliança Artesanal”.

c5Paula Tavares (Artesã)

“Adoro esta feira, já é a décima quarta vez que cá vimos, e gosto sempre. Vimos de Ovar. Descobrimos a feira através de outras associações de artesanato, e já ganhei os meus clientes certos que todos os anos me compram alguma coisa. Aliás, já desisti de várias feiras, mas esta é uma das cinco feiras a nível nacional em marcamos sempre presença.”

c6 Hélder Forte (Agricultor)

“É o segundo ano que a Real Cooperativa do Cogumelo marca presença na Festa das Colheitas, e este ano vimos com novos produtos e temos várias parcerrias com distribuidores. O produto que mais sucesso causou foi a Alheira de Cogumelos, que trouxemos a título experimental, sem saber muito bem como seria a reação, mas que esgotou ao fim de 24 horas”.

c8Maria Pereira (Tecelã)

“Esta feira é bastante positiva, mas as pessoas vão perdendo o poder de compra, não compram nada acima dos 20 euros, e isso deixa-nos um pouco tristes. Mas é importante para manter a tradição do linho preservada. Se eu dissesse aquilo que sinto, vinham-me as lágrimas aos olhos, porque os teares vão ser todos para queimar, não há quem siga a nossa tradição, e isto acaba por só dar despesa”.

c9Jacinto Teixeira (Confeccionador de Couro)

“Aqui podemos convencer as pessoas que o produto artesanal é melhor do que aquilo que compram nos chineses. Também gosto que aqui haja um critério de seleção dos artesãos, porque em outros lados colocam gente que vende material importado, mais barato, e isso dá-nos cabo do negócio. Sou de Guimarães mas estou associado à marca do Namorar Portugal, e até já espicacei o presidente da câmara de Guimarães a fazer algo semelhante a Vila Verde”.

c10Alfredo Machado (Artesão)

“Tenho vendido bem, neste momento só faço este tipo de vendas, em feiras e mostras, porque acho que é importante os produtores e vendedores irem ao encontro do cliente, em vez de ficarem numa loja à espera que entrem. As pessoas gostam das velas decoradas, porque também as personalizo em tempo real, e isso acaba por deixar o cliente satisfeito”.

c111Cláudio Araújo (Associação Cultural e Recreativa de Marrancos)

“Temos vendido fusos e outros materiais típicos para tratar o linho. Não se vende assim tanto quanto gostávamos, mas a saída até nem tem sido má. Vendi agora um fuso a uma senhora que pretende usar em lã, para fazer camisolas para o inverno. É bom que ainda haja quem se importe com este tipo de tradições, e isso também é importante para Marrancos preservar a sua tradição do Linho”.

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