Cultura

Cultura: D’arte celebra 20 anos com festa de vinil

Partilhe esta notícia!

A Associação Cultural D’arte celebra o seu vigésimo aniversário no próximo sábado (22), com uma “festa de vinil” que promete durar pela noite dentro.

A festa estará aberta ao público em geral, e em particular aos que acompanharam a longa caminhada desta associação ao longo dos últimos 20 anos, que fez da D’arte uma referência a nível nacional e internacional.

Recorde a apresentação da D’arte, publicada na edição nº38 do Semanário V.

O Museu dos Biscainhos foi o ponto de ignição para conversas sobre arte e cultura que mais tarde dariam lugar a uma das mais importantes associações culturais do concelho de Vila Verde – a D’arte. Viriato da Silveira, escultor, dava o mote para as conversas, acompanhado por vários artistas, que vinham de vários pontos do país, e traziam o “sumo” para enriquecer os debates.

O crescimento foi natural, com a criação de outros pontos onde o debate se fazia sob alçada da D’arte, como Guimarães e Vila Verde, e também a criação da Bienal de Arte Jovem de Vila Verde, que atraiu o interesse do município. Maciel Cardeira, atual responsável pela D’arte, conta que nesse tempo, cada tarde de conversas era uma tarde “deliciosa”. E conta também algumas peripécias relacionadas com a Bienal, como quando o recentemente falecido Mário Silva, conseguiu 25 mil euros do BPI com um simples telefonema, resolvendo assim o apoio financeiro para a Bienal. Outro momento “engraçado” foi quando vários artistas, que expunham numa Bienal, resolveram pintar um quadro em conjunto, retratando um homem, engravatado, que segura uma galinha. “É a simbologia dos políticos que se agarram ao poder”, conta Cardeira sobre o quadro, que foi batizado como “Galinha dos Ovos de Ouro”, e ocupa hoje lugar de destaque na sede da Associação.

Mas o tempo encarregou-se de afastar alguns dos intervenientes, com Viriato da Silveira a mudar-se para outro local do país, ficando a D’arte sem atividade regular. Foi aí que Maciel Cardeira, artista plástico vilaverdense, fez aquilo que melhor sabe fazer – mãos à obra – e a D’arte voltou a ganhar novo fôlego. Durante muitos anos, sem um presidente efetivo, a D’arte deu apoio à Bienal, mas não eram exploradas todas as competências que deram a fama aquela associação. A partir de 2008, a D’arte ganhava assim novo fôlego, começando a ter atividade com maior frequência. No entanto, faltava uma sede física, e foi aí que surgiu a requalificação do edifício de uma escola primária, na freguesia de Lage, que passou a ser a sede da D’arte, por cedência do edifício anos antes protocolado, e que resultou num investimento de 36 mil euros.

Mas antes de conseguirem a sede, algumas dificuldades surgiram, quando inicialmente se instalaram na sede da Aliança Artesanal, o que provocou alguma “confusão” na interação com a sede dos lenços de namorados, o que fez acelarar ainda mais a vontade de conseguirem sede própria. “Ao longo dos 20 anos passou de uma coisa romântica para algo mais contemporâneo e transfronteiriço. Tivemos muito impacto ao receber jovens de associações estrangeiras, a quem divulgámos o distrito e o norte de Portugal”. “O espaço físico é importantíssimo, porque se não houver um espaço fisico, para fazer o serviço artístico educativo”, explica Cardeira. E a educação artística tem sido papel fundamental, com a sede aberta para as crianças terem aulas onde estimulam a criatividade. “A criatividade não vai ser feita por robots, acredito que dentro de 50 anos as artes vão ser das profissões mais importantes, porque cada vez mais o ser humano vive de imagens. A arte no serviço educativo é muito importante, porque quando chegarem à altura de tomar uma decisão, vão perceber que aquele é o cerne da sociedade deles enquanto adultos. e é ai que a D’arte surge a fazer o elo de ligação com a sociedade civil e com os locais, mas ao mesmo tempo projetar Vila Verde com os protocolos, projetando Portugal com as formações, e faz um papel educativo e tem tido resultados muito positivos”, explica Maciel Cardeira.

Mas nem só de educação artística vive atualmente a D’arte. Colóquios, debates, espetáculos de comédia, teatro improvisado, jam sessions, tertúlias, exposições, caminhadas, entre outras iniciativas culturais têm preenchido a sede física, que tem as portas abertas a qualquer altura do ano para quem quiser usufruir das condições para dar azo à sua criatividade. “As atividades da D’arte são sempre ligadas à cultura, educação e artes plásticas, mas atentas ao panorama do que melhor enriquece a cultura do ser humano”, explica Cardeira. “Ainda no ano passado tivemos visitantes de 15 nacionalidades diferentes, a quem demos a conhecer Vila Verde, e até ficaram impressionados com a beleza de vários pontos do concelho, como Aboim da Nóbrega”, conta o artista.

Para o futuro, é esperada uma exposição retrospetiva dos últimos 20 anos, e cada vez mais investir na divulgação cultural do concelho, para além de mais conversas culturais e ainda o acolhimento de um grupo de artistas mexicanos que participam nas jornadas Ibero-Americanas no distrito de Braga. Nos dias que correm, embora a internet seja um bom veículo para traçar laços culturais com outras culturas, e isso vê-se no dinamismo da D’arte em relação a receber estrangeiros, também acaba por condicionar um pouco do lado físico, como as conversas que antigamente juntavam mais de cem artistas portugueses. “Pessoalmente, para quem frequentava os ateliês, o que atraía era o lado humano, o lado do amigo, o companheirismo, mas isso já acabou, porque hoje em dia é tudo virtual. A Internet acabou com o lado humano”, lamenta Cardeira, esperando no entanto que a D’arte continue a “crescer”, e que se reinvente a ela própria a cada ano que passa”, acrescentando que “estas escolas abandonadas deveriam funcionar como micro laboratórios de cultura, são extremamente eficazes os resultados e tem um papel agregador da comunidade local por toda a carga que encerram em si devido ao passado latente nas suas paredes.”

Comentários

topo