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Álvaro Santos: “Coragem é o que abunda nos bombeiros”

“Coragem é o que abunda nos bombeiros”. Foi com este elogio que Álvaro Santos, presidente da Assembleia Geral da AH dos Bombeiros Voluntários de Vila Verde (BVVV), começou o discurso durante o jantar solidário organizado pela EPATV, e que reverteu para os BVVV. “Altruísmo, solidariedade, voluntariado e generosidade, em resumo Humanismo”, classificou Álvaro Santos, ao referir-se aos operacionais bombeiros, contando uma história que vivenciou no quartel.

“No verão passado, no pico dos incêndios, aconteceu uma recolha de bens. Passei pelo quartel para dar apoio moral aos bombeiros. Deparei então com uma jovem bombeira que em três dias quase não dormira e que estava acabada de chegar de um incêndio. Trazia o cheiro a fumo na farda e a face pintada de negro da lenha queimada. Exausta, perante alguém que ia dar aos bombeiros uma embalagem de água, conseguia manter um sorriso sincero e um olhar terno de agradecimento pelo que representava aquele acto simples de alguém reconhecer a sua entrega aos outros. É assim que eles são: dão tanto e pedem tão pouco”, contou Álvaro Santos, perante uma emocionada plateia. O presidente da AG relembrou ainda um texto, escrito pelo próprio, que revela o que sente em relação aos Bombeiros.

“Cresci paredes-meias com os Bombeiros. Parte do meu tempo de infância e de adolescência vivi naquele velho quartel, hoje demolido. Gostava de ouvir as histórias dos mais antigos, muitos dos quais já partiram. A torre da sirene do quartel era mesmo em frente à janela do meu quarto. Nesse tempo, quando a sirene tocava à noite, eu, ainda rapazote, vinha à janela ou ia ver a azáfama da movimentação. Ficava espantado com a forma como chegavam os Bombeiros: a correr, de bicicleta ou motorizada. Muitos corriam e ao mesmo tempo apertavam as calças vestidas à pressa, no meio de um sono interrompido, para mais rapidamente estarem em posição de sair em socorro. E com um ar determinado e de coragem para enfrentar qualquer perigo, mesmo que tal implicasse colocar em risco a própria vida. Importante era salvar alguém. Quando orgulhosamente chegavam da missão cumprida, transpareciam nos seus rostos sentimentos contraditórios: satisfação por terem sido úteis e consternação pelos infortúnios ocorridos aos seus concidadãos. No dia a dia, lia-se nos seus olhares a alegria de servir sem querer nada em troca. Esta foi uma lição de vida que guardei até hoje”, finalizou Álvaro Santos.

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