João Luís Nogueira

Opinião de João Luís Nogueira: “A verdade da mentira”

“ Um povo sem memória não tem futuro, ao contrário dos políticos que só têm futuro os sem memória…”

Há 15 dias li com bastante atenção o artigo de Opinião, neste mesmo semanário, do Srº Engº José Manuel Fernandes, ilustre eurodeputado, que muito prezo e respeito, e só pretendo com esta crónica sublinhar a opinião que manifestou à luz da nossa sociedade mais próxima.

Em relação à limitação de mandatos, nunca estivemos mais de acordo e até vou mais longe, pois esta limitação deveria ser alargada a tudo e todos que têm a ver com a gestão de “coisa pública”, tendo por base os cargos de eleição, desde logo os deputados da nação, os presidentes dos governos regionais…mas também aqueles que nos estão próximos, mesmo que sejam nossos amigos. O Sr. Eurodeputado vem um pouco tarde abordar este tema, por ventura porque se “zangou” com algum amigo que está nesta situação… E para lembrar aos eleitores e emitindo a sua opinião, pelo menos que o faça com transparência e chamando o nome às coisas! O Decreto-Lei 172-A/2014 de 14 de Novembro regulamenta o setor social e solidário representado pelas Misericórdias, instituições de solidariedade social e mutualidades, vulgo, Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), referindo em: Artigo 21º – C – Mandato dos titulares dos órgãos, no ponto 6 refere “ O presidente da instituição ou cargo equiparado, só pode ser eleito para 3 mandatos consecutivos.” Artigo 64º- C- Mandato dos Representantes, no ponto 1 diz “O mandato dos representantes é de 4 anos, renováveis, não podendo exceder 12 anos consecutivos.”

Regressando à nossa Vila Verde, pelos vistos, estão de fora deste Decreto-Lei algumas instituições, que de facto, têm na sua presidência quase tantos anos como o conhecido Salazar, “…dirigentes estes que de facto selecionam e limitam os “fiéis” que podem votar, gerem milhões, concentram poderes e ainda usam recursos financeiros e oferecem empregos para favorecer candidaturas políticas que lhes sejam próximas; acham-se insubstituíveis, gerem para se eternizarem no poder e até procuram outros poderes” (in JMF). O exercício de memória lembram-nos “coisas do arco da velha”…Então não foram estas instituições que sempre o apoiaram e ajudaram nas suas candidaturas eleitorais e no exercício das suas políticas? E para ser mais concreto e coerente com a apologia de “chamar o nome às coisas”, vou dar dois exemplos de instituições que conheço e que se enquadram exatamente neste perfil e das quais o Srº Eurodeputado até tem recebido simpatias…

Uma delas é a CCAM- Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Vila Verde e Terras de Bouro, que é uma cooperativa e são os sócios que elegem o corpo diretivo e a outra a ATHACA que sendo uma associação também são os associados que vinculam a eleição. E qual é a semelhança entre elas? É que se encaixam exatamente na opinião expressa pelo Srº Eurodeputado. E eu estou perfeitamente de acordo. Só não concordo com o Srº Eurodeputado JMF, no depoimento feito pelo Presidente da Direção dos Bombeiros Voluntários de Vila Verde de então, na página 141 do livro do Centenário dos BVVV. Mais uma vez, com amigos destes, não precisamos de inimigos!…

Partilhe esta notícia!

Comentários

topo