Álvaro Rocha Opinião

Opinião de Álvaro Rocha: “Quanto pior, melhor!”

Álvaro Rocha
Álvaro Rocha
Escrito por Álvaro Rocha

1. Quanto pior, melhor!

Algumas franjas da sociedade portuguesa entraram num declínio acentuado de valores, que espero seja reversível, apesar de ter algumas dúvidas. Faço esta afirmação devido essencialmente a alguns resultados das últimas eleições autárquicas, nas quais foram eleitos autarcas condenados por fraude fiscal, abuso de poder, corrupção, despedimento por justa causa, e também arguidos, etc.

O caso mais mediático é o de Isaltino Morais, eleito com uma votação esmagadora para a Câmara Municipal de Oeiras, depois de ter cumprido dois anos de pena de prisão efetiva, por, entre outros, fraude fiscal e branqueamento de capitais. Mas também temos dois exemplos no nosso concelho. O primeiro, António Vilela, eleito para a Câmara Municipal, arguido por, entre outros, “fortes indícios da prática de crimes”, acrescendo a isto o facto de ter atualmente nove processos a decorrerem no DIAP da Comarca de Braga. E o segundo, José Faria, eleito Presidente da Junta de Freguesia de Vila Verde e Barbudo, condenado recentemente a despedimento por justa causa pelo Tribunal da Comarca de Guimarães, devido a desvio de dinheiros na Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Vila Verde e Terras de Bouro.

Ora eu não me revejo nestes eleitos, porque advogo e sempre advoguei que os servidores públicos têm de ser sérios, dignos e exemplares. Não voto neste tipo de pessoas, nunca votarei e educarei os meus filhos para votarem em pessoas que tenham posturas e comportamentos alinhados com a lei e sejam simultaneamente promotores de uma sociedade sã.

Pelos vistos sou uma voz minoritária nesta causa, mas não cederei nem me arrependerei. De qualquer modo, perante os últimos acontecimentos, não tenho dúvida de que uma grande franja da nossa sociedade entrou em declínio, porque advoga o princípio de: quanto pior, melhor!

2. Juntos com Esperança

Em Aboim da Nóbrega e Gondomar continuamos juntos com esperança. A candidatura independente, liderada pelo Diogo Santos, contribuiu de forma inequívoca para a inexistência de uma nova maioria absoluta, tal como a que vigorou na Junta de Freguesia no último mandato. Vislumbram-se, assim, tempos de uma melhor e mais saudável gestão da freguesia.

O mais provável é deixarem-se de ouvir afirmações do Presidente da Junta do género: ainda bem que não arranjei o caminho próximo da tua casa porque agora a tua filha apoiou outra candidatura; não arranjo o caminho do teu lugar porque o teu filho foi membro de outra lista nas eleições anteriores; etc. E o mais provável, também, é que todos comecem a receber atenção equivalente da Junta, ao invés do que se passou nos últimos quatro anos.

Em suma, vislumbra-se uma mudança gradual, mas positiva, na gestão da freguesia, e um aumento do respeito do Presidente da Câmara pela mesma. Esperamos, pois, que não venhamos a ter novamente um mandato camarário, em que Aboim da Nóbrega e Gondomar somente recebe alguma atenção a um ou dois meses das eleições autárquicas, com uma ou duas obras sem planeamento e execução atempada e rigorosa, autêntico atirar de areia para os olhos dos cidadãos.

Comentários

Acerca do autor

Álvaro Rocha

Álvaro Rocha

Professor da Universidade de Coimbra