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Augusto Faria. “Sou seguidor de ideologias, não de pessoas”

“Nasci no café Angola, no centro de Vila Verde, no tempo em que era tudo em terra batida e poucos carros passavam por cá. Arrancava os botões das calças para ir jogar com eles para os bancos da praça e levava tareia quando chegava a casa”.

As palavras são de Augusto Faria, personalidade bem conhecida no concelho de Vila Verde, devido à intervenção, associativismo e, claro, à forma crítica como aborda aquilo que considera “erros crassos” que vê serem executados no concelho.

Mas isso já vem detrás, recorda um saudoso “Tuta”, lembrando os tempos em que mobilizou a cidade de Braga para a maior manifestação de rua daqueles tempos. “Reuni alguns amigos no café Cinelândia e fomos sabotar as escolas”, recorda. Motivos? Insatisfeito com o sistema. “Tuta” é assim. Um eterno insatisfeito.

Fundador do PS de Vila Verde, de três casas do Porto (Vila Verde, Braga e Amares), da ACDR SS Loureira, do Maximinense FC, do Fundo Social e Comissão de Trabalhadores da Câmara de Vila Verde, Augusto Faria fundou tudo aquilo em que podia ter “mão” para comandar, e não se saiu nada mal.

Em conversa com o V, Augusto Faria recordou um pouco do percurso de vida, salientando o dirigismo em várias instituições, como o Vilaverdense FC, onde também foi treinador de juniores, dos Bombeiros de Vila Verde, onde foi dirigente 27 anos, e de um clube de futebol em Moçambique, onde passou cinco anos na guerra colonial.

Aliás, os tempos de guerra marcaram Augusto Faria, que lamenta o pouco apoio que os ex-combatentes tiveram. “Ainda hoje tenho uma doença no fígado por causa da água que bebíamos”, conta, lamentando que “em tantos anos, só me deram 75 euros por lá ter combatido, e uma medalha por ter sido ferido em combate”.

Chegado de Angola, Augusto Faria passou a gerir uma padaria em Maximinos, onde seria para ficar “três meses”, mas acabou por passar lá anos até entrar para funcionário da Câmara de Vila Verde.

“Quando foi o 25 de abril, foi mais ou menos ao mesmo tempo que entrei para a câmara”, recorda. “Lá, para além de ter fundado o Sindicato da Administração Local, passeio pelas repartições do urbanismo, do ambiente, do arquivo, do pessoal e da fiscalidade”, salienta “Tuta”, que traz a alcunha quase do berço.

Já na década de 80, fundou o jornal “Notícias de Vila Verde”; que fazia “por carolice e amor à camisola”. “Era um grande projeto mas acabámos por acabar por falta de meios”, lamenta.

Mas, e já na reforma, Augusto Faria não cedeu ao comodismo, e lançou uma página que ainda hoje é motivo de conversa em vários pontos do concelho. “Fundei a página Vila Verde em Notícia para ser um complemento do jornal. Acho que em Vila Verde os jornais foram sempre inclinados para o lado do poder, e achei que era preciso uma voz interventiva de esquerda na sociedade”, aponta.

O grupo, que no facebook tem mais de 30.000 seguidores, é também caraterizado pelos posts polémicos e por algumas acusações, algo que Augusto Faria refuta para a liberdade de expressão.`

Mas, e do grupo, nasceu uma gala. “Os Melhores de Vila Verde” já vai na quinta edição, e segundo o criador, pretende dar voz ao povo. “Todas as galas que existiam, a do Desportivo Vale do Homem, a Namorar Portugal, todas elas são por nomeação direta de quem está por trás da organização, e não por voto popular”, aponta, destacando a “casa cheia” na edição deste ano da gala.

Com galas e notícias, Augusto Faria garante não se deixar intimidar, e vinca a preferência pela esquerda. “Nunca votaria num partido de direita. Sou uma pessoa de ideologias. Aliás, eu sou seguidor de crenças e ideologias, e não de pessoas”, finaliza “Tuta”, enquanto apela à juventude de Vila Verde que seja mais “interventiva, crítica e que não virem as costas à ideologia”.

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