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Oleiros. Habitantes afetados pelos incêndios apontam dedo aos terrenos por limpar

O Semanário V foi ter com os habitantes da freguesia de Oleiros afetados pelos incêndios. Uma rua inteira, (Rua do Maninho) esteve sob perigo das chamas, e só não arderam as casas devido à rápida intervenção dos Bombeiros de Vila Verde e da própria Junta de Freguesia.

Maria Luisa Vieira, moradora nessa rua, disse ao V que “foram incansáveis”. “Se não fossem os bombeiros isto tinha ardido tudo”; conta, explicando que “para além deles, também o antigo presidente da junta, José Parente, veio cá e disse que nos ia ajudar”, revela Maria Luísa, prosseguindo o relato dos acontecimentos.

“Nisto ele desapareceu, e o fogo começou a chegar mesmo ao pé das casas, e ele apareceu com três escavadoras, vindas de Vila Verde, e foi a nossa salvação. Parece que vimos Deus quando vieram as escavadoras”, conta, explicando que os bombeiros andaram com uma “mangueira grande” a guardar as casas.  “Da minha parte safaram tudo, mas cá atrás já não tinham hipótese sem as escavadoras, porque as bouças estavam sujas, as silvas cobriam isto tudo”, lamenta, apontando o dedo ao “Sr. Machado, dono dos terrenos”.

“Ligámos para ele e ele disse que vinha mas não veio”; acusa a moradora, apontando ainda para outro terreno, que o dono também não limpou e também não apareceu na noite do incêndio. “Deviam ser todos castigados. Isto não se faz. Passámos uma tarde de choros, mangueiras… foi tudo… não tenho palavras… foi um domingo para esquecer”, lamenta, entre lágrimas.

Noutra casa, Hugo Moreira chegou a ter um galinheiro ameaçado pelas chamas. “Foi uma fagulha que veio pelo ar e pegou fogo ao galinheiro”, conta, satisfeito porque os bombeiros chegaram a tempo. “Eles andavam ali na estrada e vieram logo acudir”, diz, revoltado com os incêndios. “Estamos aqui entre perigos e ninguém quer saber de limpar estes montes, que não são nossos”, acusa, lamentando que “podia ter morrido eu, os meus pais, o mau avô, os animais…”.

Noutro local, João Fernandes de Faria, de 86 anos viu a casa e um barracão de animais ameaçado pelas chamas. “Era o fim do mundo. Só não foi pior para mim porque eu tinha os meus terrenos limpos até 50 metros, como já ouvi na televisão, mas não vejo ninguém a fiscalizar isso”, aponta o idoso que se viu “atrapalhado” com o fumo dentro de casa. “Tivemos de sair para a rua porque o fumo era imenso… uma tristeza, sabe”, finaliza o morador em Oleiros, já reformado.

Foi uma aventura em tanto para moradores e para os bombeiros que, sem hipótese de pedir reforços, conseguiram salvar não só as habitações, como quem nelas vive, tanto de vidas humanas como animais.

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