Elda Fernandes Opinião

Opinião de Elda Fernandes: “Circo sim, animais não!”

Elda Fernandes
Elda Fernandes
Escrito por Elda Fernandes

Quando se aproxima a época natalícia, a par com as decorações e as lotações das superfícies comerciai, ressurge também a tendência solidária, mais visível que no restante ano, mas nem todos são merecedores de tal sorte, e em muitos casos são os que não têm voz, e Natal também é sinónimo de circo, e em Braga ainda com animais.

Dizem, que os animais são das principais atrações para as pessoas irem ao circo e levarem as crianças com o intuito de verem, muitos pela primeira vez, animais selvagens, mas o argumento começa com uma incoerência, eles não estão em estado selvagem, muitos estão a milhares de Kms do seu habitat natural, estão em grande parte, para não ser muito fundamentalista, domados para agir em prol da vontade do homem, no meio de chicotadas e treinos pesados físicos e psicológicos , a par de outras técnicas, o domador consegue por o “Rei da Selva” a saltar em arcos de fogo e a fazer números que encantam a plateia.

Os pais levam as crianças ao circo, porque em grande parte, também eles foram encaminhados pelos seus pais, e continua-se a perpetuar um hábito, que se traduz num ser sensitivo viver a vida numa jaula, ser solto apenas para treinos e atuações, num espetáculo do qual ele nunca pediu para ser parte.

Levar as crianças ao circo é uma forma de ocultar a realidade dos bastidores, onde longe dos olhares do público os animais, que não escolheram estar ali vivem em jaulas mínimas para o seu porte, e em stress constante com as viagens e movimentação dos humanos. O circo fomenta o tráfico de animais e viola em muitos caso uma das portarias em vigor, desde 2009 onde é proibido a compra de animais este fim e proibida reprodução, há controle do SEPNA? Quase nenhum. Talvez, se as crianças soubessem o que está por trás da cortina vermelha, ou se os pais não ocultassem a informação, não houvesse tantos circos com animais e baixa adesão do público obriga-se a mudar de estratégia, e transformar o espetáculo numa forma de fomentar o talento humano em acrobacias incríveis, longe do rasto de dor que se perpetua.

O circo é um grandioso espetáculo, composto por grandes artistas, demonstra uma arte trabalhosa associada a horas de treino, mas tem que evoluir, uma arte que surge no século XVIII, não pode atuar da mesma forma hoje, não pode fechar os olhos à evolução, nem usar os animais como objetos que nascem para nos servir. Ir a um circo com recurso a animais é assistir a um ilusionismo, onde os maus-tratos aos animais desaparece, e por momentos acreditamos que é possível um leão obedecer ao Homem, esta espécie dotada de racionalidade, mas ao estabelecer este raciocínio, estamos a incutir uma supremacia, que como seres racionais devíamos repudiar que é usar o outro, numa situação frágil e sem opção para o nosso bem próprio.

O circo com animais quase não tem ação cívica contra em Braga, mas no Porto, aqui ao lado, os ativistas já conseguiram mudar paradigmas, (Coliseu do Porto apresentou Circo sem animais e aumentou o seu público), no entanto, acontece um pouco por todo o país o recurso aos animais.

É urgente apelar a quem defende a dignidade animal e comparece nas arenas de Touros, onde a voz de quem luta pela abolição equilibra com as palmas, que surgem a cada golpe no touro se juntem a esta causa. Ambas são formas de exploração da vida animal, a diferença é a forma como esta é apresentada: uma é à vista de todos, outra nos bastidores, para o espetáculo ser perfeito.

Muitos países proibiram o circo com animais, outros aplicam taxas, Portugal tem uma lei que se fosse cumprida levaria a que muitas “estrelas” quando morressem não pudessem ser substituídas, falta a fiscalização e a vontade de todos em construir um mundo mais justo.

Até quando vamos obrigar, quem não escolheu fazer parte do espetáculo?

Comentários

Acerca do autor

Elda Fernandes

Elda Fernandes

Assessora da imprensa