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Vila Verde. Jardim de Elisa Araújo vira presépio com duas mil peças em dezembro

Fotos: Salomé Pessoa

A meio da rua Travessa do Monte de Cima, junto à zona do Bom Retiro, em Vila Verde, ostenta uma das maiores maravilhas natalícias da pequena vila minhota, e Elisa Araújo Alves, fabricante da mesma, abriu as portas de casa ao Semanário V para que a maravilha seja acessível a todos.

Ao fundo do portão, do número 75 daquela rua, um canteiro de jardim dá o alerta. São mais de 2000 figuras de presépio espalhadas meticulosamente por cerca de 30 metros de comprimento. O presépio de Elisa, que é também o maior presépio de Vila Verde, desvenda toda a história biblica, segundo a autora, que todos os anos compra mais figuras para recriar novos quadros biblícos em jeito natalício.

Tudo começou há 10 anos, por altura do nascimento do filho, André. “Já fazíamos um presépio grande, mas era debaixo da árvore de Natal, dentro de casa”, explica a vila-verdense, indicando que a solução encontrada foi “deslocar o presépio para o jardim”, uma vez que “ocupava o espaço todo dentro de casa”.

“Desde há 10 anos para cá o presépio tem vindo a aumentar, e este ano é o maior de sempre”, revela Elisa, satisfeita com o resultado. “É a melhor prenda que posso dar a mim mesma”, alude. Misturado pelos canteiros, com musgo apanhado em Ponte de Lima, os figurinos do presépio acolhem sombra de árvores e plantas relacionadas com o Natal, e que são plantadas no canteiro para este efeito, como explica a autora.

“Durante o verão, este jardim fica cheio de flores e quando chega a dezembro, as flores já desapareceram e ficam só estas plantas que costumam abrir no Natal, como os azevinhos”, aponta Elisa, mostrando orgulho na obra. “Gosto muito de mostrar o presépio a quem queira ver”, diz, revelando que “já vieram cá vários elementos da Câmara e crianças de escolas do concelho”.

Em termos de estimativa, Elisa garante ter já empenhado “largos milhares de euros” na aquisição das peças do presépio e em material para toda a construção. “É mesmo uma prenda que dou a mim mesma”, reforça, entre risos.

Com o presépio armado no segundo dia de dezembro, Elisa espera receber centenas de visitantes, mas sem cobrar entrada, pois há algo que a move além do dinheiro – um príncípio nobre – que Elisa faz questão de deixar como “remate final”. “Não faço isto para ganhar dinheiro, mas sim porque quero transmitir o espírito natalício ao máximo de pessoas possíveis e salvaguardar a memória dos meus pais, que gostavam muito de fazer o presépio”.

(Em destaque nas páginas centrais do n,º 99 do Semanário V, já nas bancas em Vila Verde, Braga e Amares)

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Fernando André Silva

Fernando André Silva

Jornalista