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Economia. Grupo de Braga quer explorar mina de ouro em Vila Verde

Staff e advogados da Lusorecursos à saída do Tribunal de Braga
Fernando André Silva

O grupo mineiro Lusorecursos, propriedade do consultor de empresas Ricardo Pinheiro em sociedade com o antigo presidente da Associação Industrial do Minho, António Marques, apresentou à Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) um pedido de licença de exploração para uma mina de ouro, em Marrancos, Vila Verde, informou hoje fonte da empresa citada pelo Jornal de Negócios.

O pedido de licenciamento, explica um comunicado do grupo, é sequência do contrato de prospeção e pesquisa, para aquela área, assinado entre o grupo e o Estado em 2012, e que revelou “resultados positivos quanto à rentabilidade da mina”. A empresa garante ter meios técnicos e financeiros para a exploração da mina.

A empresa detém exploração em minas de ouro, prata, volfâmio e estanho naquela área, que envolve não só o concelho de Vila Verde como o de Ponte da Barca e o de Ponte de Lima.

“A Lusorecursos, ao apresentar este pedido de licença de exploração para o ouro, assume também o desafio de desenvolver com as autoridades competentes, em particular com o Ministério da Economia, um trabalho para, com as demais empresas do grupo, construir um autêntico  “cluster” dos metálicos em Portugal, suportado nas competências e nos recursos nacionais”, lê-se no comunicado.

No texto, o grupo aponta ainda que “procura dessa forma preservar o interesse público, os recursos naturais do país e contribuir para que as políticas públicas conduzam a que o valor acrescentado desse recurso fique de facto em Portugal” e “não continue a ser capturado por interesses que não respeitam o país”.

Lusorecursos tem travado batalha contra gigante australiana

A empresa Lusorecursos, que deu os primeiros passos na freguesia de Soutelo, em Vila Verde, trava agora uma batalha no tribunal contra uma multinacional australiana de exploração de minério pelas jazidas de Sepeda, em Montalegre, e o lítio que lá está em exploração, como avançou em destaque o Semanário V, na edição 97, de 22 de novembro.

Segundo o processo, a que o V teve acesso, a empresa australiana, defendida pelo antigo Ministro da Defesa do governo PSD, Aguiar Branco, alega que a empresa portuguesa está “em situação desesperada” e que não tem “capacidade para explorar” as minas de lítio em Montalegre.

A Novo Lítio, pertencente à Dakota Minerals, australiana, apresentou uma providência cautelar relativo ao investimento feito nos últimos tempos nas jazidas de Sepeda.

A empresa australiana, e segundo o processo, acusa a Lusorecursos de ter “desaparecido entre março e agosto de 2016”

Segundo a mesma empresa, a Lusorecursos estaria disponível para vender a empresa e passar a exploração para a Novo Lítio, mas tal não chegou a acontecer depois de, alegadamente, os responsáveis da empresa portuguesa terem deixado de manter contacto.

Segundo a australiana, foram investidos mais de 4 milhões de euros na realização de investimentos e 800 mil euros em testes de prospeção, que a Lusorecursos não terá pago. “São trabalhadores altamente qualificados”, aponta a empresa australiana.

Ainda segundo a Novo Lítio, este “impasse” poderia ser evitado se a australiana comprasse a Lusorecursos por 1 milhão e 85 mil euros, uma vez que, e segundo a própria, ficaria a australiana com a licença da portuguesa.

Mas também a Lusorecursos fez prospeção naquelas minas entre 2012 e 2016, e quer manter a licença e iniciar a exploração.

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Jornalista