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Raul Pereira: “A dor crónica provoca quadros de ansiedade e depressão”

Redação
Escrito por Redação

Raul Pereira e Célio Antunes  são especialistas no combate à dor crónica e vão passar a ter um sistema integrado de cosultas com acompanhamento da dor, no Hospital de Vila Verde.

Falámos com os especialistas em duas entrevistas distintas, sobre dor crónica e dor aguda.

Raul Pereira, médico especialista em Medicina Geral e Familiar e na Medicina da Dor, explicou ao Semanário V um pouco do conceito da “dor crónica” e do que é possível fazer a partir de janeiro de 2018, no HMVV.

O que é a dor crónica?

Raul Pereira (RP): A dor crónica define-se como uma dor que se afecta a pessoa no seu dia a dia e dura mais de 3 meses. A dor cronica por si só é considerada uma doença e inclui todas as dores que afectam as pessoas numa base diária e que as incapacitam para o seu dia a dia. Um exemplo típico de dor cronica é a dor lombar – a “dor de costas” – que afecta muitos doentes e que os acompanha, muitas vezes, ao longo de toda a vida. Este tipo de dor tem tratamento que, juntamente com o acompanhamento adequado, consegue aumentar significativamente a qualidade de vida. Todas as pessoas que tenham uma dor diária e persistente, independentemente do motivo, devem ser avaliadas numa consulta de dor crónica para se ter um diagnóstico e tratamento correctos.

Como se faz o diagnóstico da dor? Mede-se a intensidade?

RP: A dor deve ser avaliada em primeiro lugar com um diagnóstico correcto. Deve perceber-se exactamente qual o problema de saúde que está a causar a dor – se é artrose, problemas de hérnia lombar, etc. Depois deve avaliar-se o tipo de dor e perceber se tem, por exemplo, um componente neuropático. Há muitas dores que causam sensação de adormecimento, choques eléctricos, etc e que precisam de um tratamento mais especial. Depois mede-se a intensidade de dor antes de iniciar o tratamento e ao longo do tratamento para perceber a melhoria do doente. Para isso, usam-se escalas que avaliam a dor em si, a incapacida- de para o dia a dia e a qualidade de vida. Através destas escalas conseguimos perceber o grau de melhoria da pessoa ao longo do tratamento.

A dor provoca incapacidade?

RP: A dor crónica pelo seu carácter contínuo provoca incapacidade muito importante a nível físico e psicológico, uma vez que as pessoas com dor persistente sentem-se mais tristes e com menos vontade para levar a cabo as tarefas do dia a dia. As pessoas sentem-se incapazes de ter um dia a dia normal e desenvolvem, muitas vezes, quadros de ansiedade e depressão causados pela dor. Assim a abordagem para o tratamento da dor cronica passa por, para alem de tratar a dor, criar condições para a pessoa se sentir melhor globalmente e lidar melhor com a incapacidade.

Como se trata a dor?

RP: A dor trata-se com uma abordagem individualizada a cada doente. Cada doente é único e tem de ter um diagnóstico acertado, uma avaliação do grau de dor adequada e tem de fazer o melhor tratamento disponível para a dor Isto só se consegue com uma consulta específica que abor- de todas estas temáticas e em que o doente consiga explicitar todos os seus sintomas e todas as suas preocupações. Depois desta avaliação o médico prescreve adaptada a cada doente individualmente e tem de acompanhar a evolução ao longo do tempo. Após uma primeira consulta é expectável que haja um grau importante de melhoria da dor ao fim de cerca de 1 mês, para a maior parte das pessoas.

Quais os benefícios da consulta e para quando uma consulta da dor no Hospital de Vila Verde?

RP: Em janeiro de 2018 iniciaremos uma consulta com abordagem integrada da dor no HMVV. Nesta consulta estará ao dispor dos doentes uma avaliação médica e colaboração multidisciplinar de varias especialidades medicas, sempre que necessário. Será uma consulta em que se combinará o uso de medicamentos e, se necessário outras técnicas, realizadas por Anestesiologia. Assim, conseguimos abarcar quase 100% das situações de dor cronica, dan- do uma resposta eficaz a estes doentes que muitas vezes sen- tem que a sua dor não é valorizada e acompanhada. Esperamos poder contribuir para uma maior qualidade de vida destas pessoas, apresentando o que de melhor se faz neste área a nível nacional e proporcionando um acompanhamento eficaz para todos os doentes com dor que nos procurem.

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