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Comércio. “Vêm pelas igrejas e o Bom Jesus mas acabam por deixar aqui muitos euros”

Redação
Escrito por Redação

A ausência de chuva está a ser “grande aliada” do comércio tradicional de Braga nesta época natalícia, registando-se “mais transações” nas lojas do que em anos anteriores e um “expressivo aumento” de consumidores espanhóis.

Em declarações prestadas hoje à Lusa, o diretor-geral da Associação Comercial de Braga (ACB), Rui Marques, estimou um aumento de vendas no comércio local durante esta quadra “entre 10 a 12%” face a 2016, destacando ainda a “preferência crescente” dos consumidores pelo chamado comércio tradicional, em detrimento das grandes superfícies.

À Lusa, os comerciantes do centro histórico de Braga confirmaram a tendência apontada por aquele responsável e apontaram “culpas” ao S. Pedro e ao “santo financeiro”, numa alusão a Mário Centeno, o ministro das Finanças.

“Temos tido muita sorte com o tempo. Este ano o S. Pedro foi nosso amigo e deu-nos dias sem chuva e sol o que foi um “grande aliado” para nós. Com sol, as pessoas procuram mais as ruas, o comércio tradicional, não vão tanto para os centros comerciais”, referiu à Lusa Ana Couto, funcionária de uma sapataria no centro da cidade de Braga.

Umas portas mais abaixo, Filomena confessa que “meteu umas cunhas” ao S. Pedro.

“Eu sei que o país precisava de muita chuva, mas confesso que rezei por um tempo seco. Com chuva, o negócio não corre. Pedi muito sol e nenhuma chuva. Parece que fui atendida. Agora tenho que mudar a ladainha na conversa com o santo”, riu-se.

Mas as rezas e as velas foram também para outro “santo”, bem mais terreno. “Também fiz umas rezas ao ministro das Finanças. Saiu-nos um santo forte. As pessoas parecem andar mais animadas e com mais dinheiro no bolso para gastar. Podem até não o ter, mas pensam que sim e gastam”, alvitrou Filomena.

As projeções da ACB são confirmadas pelos lojistas. “Prevemos que tenha havido e esteja a decorrer um aumento entre 10 a 12% de transações este ano em comparação com o ano passado”, apontou à Lusa Rui Marques.

O responsável referiu que as projeções da associação que agrega os comerciantes bracarenses “apontam para 100 milhões de euros em transações nesta época de Natal”, salientando uma “preferência crescente pelo centro da cidade” para compras.

“Há uma clara alteração de tendências. Mais procura pelo comércio tradicional ao que a falta de chuva destes dias não deve ser alheia. No primeiro fim de semana de dezembro a chuva foi muita e atrasou o início da época de vendas mas o bom tempo que se fez e faz sentir agora, felizmente, traduz-se em ruas cheias e vendas a decorrer a bom ritmo”, apontou aquele responsável.

Além do aumento de clientes, “daqueles que compram e não ficam só a ver”, os lojistas de Braga, e a ACB, assinalaram novos consumidores, vindos de Espanha: “Já não há só bracarenses nas lojas, ou de concelhos vizinhos, há um expressivo aumento de clientes espanhóis”, referiu Rui Marques.

Filomena confirmou. “Muitos espanhóis. E com dinheiro, compram muito. Dizem que vieram para ver as igrejas e o Bom Jesus mas acabam por deixar aqui muitos euros”, disse.

Numa das padarias da Avenida Central a presença de turistas e consumidores espanhóis foi também assinalada.

“Este ano andam atrás do Bolo-rei como nunca. Compram aos 3 e 4, dizem que vão congelar para o dia de Reis. É vê-los chegar aqui carregados de sacos e a saírem ainda com mais”, explicou uma das funcionárias do estabelecimento.

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