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PSD. O dia em que a “máquina fernandista” emperrou em Vila Verde

Redação
Escrito por Redação

A preferência de voto para Rui Rio como presidente do PSD foi expressiva no concelho de Vila Verde, causando algum espanto por entre a conhecida”máquina” do PSD, tornada eterna por José Manuel Fernandes para acabar com a hegemonia do CDS-PP, e fortalecida com a chegada de António Vilela ao poder, por conseguir mudar em pouco tempo aquilo que parece uma tendência de voto contrária dentro das próprias hostes laranja. Mas desta vez a máquina virou geringonça e não funcionou.

Em Vila Verde, o candidato vencedor foi apoiado pelo deputado e líder da concelhia Rui Silva, que não é visto como prioritário dentro do aparelho “fernandista” para possível candidato às eleições de 2021.

Mas Rui Silva ganha mais importância dentro do partido por ter sido, desde uma primeira instância, um dos apoios públicos de Rio, como avançou na altura em exclusivo ao V.

DR

Rui Silva abraçado a Rui Rio / DR

Desta vez a “máquina” não foi superior ao Homem

As contas não saíram como a “máquina” PSD esperava. Iniciada nos anos 90 por José Manuel Fernandes para retirar a hegemonia do CDS-PP no concelho, a máquina aglomeradora que atraía cada vez mais fieis pela forma acurada como trabalha,, funcionou sempre a favor do eurodeputado… Até à noite destas últimas diretas do PSD.

Segundo fonte próxima de JMF, o eurodeputado não se envolveu muito nesta campanha, não querendo “abrir flancos” para o que eventualmente pudesse decorrer destas eleições.

No entanto, é sabido que Jorge Oliveira e Carlos Tiago Alves trataram de “olear” a máquina para conseguir angariar votos por entre o mais de um milhar de votantes PSD em Vila Verde.

Rui Silva, Adriano Ramos, Martinha Couto Soares e Hélder Forte, por outro lado, apostaram em ir contra a máquina de Vila Verde e seguiram um caminho diferente. Rui Rio terá mesmo contado com a preciosa ajuda de Vila Verde no número de votos.

Se a máquina tivesse funcionado como o previsto, hoje a probabilidade de Santana Lopes vencer no distrito de Braga, como era esperado, seria uma certeza

De notar que o apoio de Hélder Forte e do ex-autarca de Coucieiro, José Pimentel, foi crucial para o reunir de votos em Rui Rio. Aquelas duas freguesias reúnem dos núcleos mais ativos do partido laranja no concelho e não foram em meias medidas. O Homem bateu a máquina nestas eleições.

Rui Silva deixa António Vilela e JMF de fora dos agradecimentos

O também presidente do PSD de Vila Verde, Rui Silva, veio a público afirmar que esta eleição [de Rio] vem reforçar “o posicionamento no panorama distrital de nacional” da concelhia de Vila Verde.

“No distrito de Braga, a secção de Vila Verde foi a terceira com maior afluência às urnas e teve uma votação expressiva no novo presidente do partido. Vila Verde contribuiu, de forma clara, para a eleição do Rui Rio”, referiu o deputado através das redes sociais.

Rui Silva fez questão de apontar a “vitalidade” do partido em Vila Verde, pela “elevada participação e de maneira cordata”, e deixou agradecimentos, deixando de fora António Vilela e José Manuel Fernandes.

“Quero deixar um grande abraço ao Hélder Forte, mandatário em Vila Verde, assim como a todos os pivôs que trabalharam nesta campanha, nomeadamente o Adriano Ramos, a Martinha Couto Soares, o Miguel Peixoto, o Carlos Correia, a Branca Malheiro e a Liliana Fernandes”

Para o deputado, estes “são claramente quadros a ter em conta no futuro, alguns deles já com bastante experiência autárquica”.

“Já deram e têm muito a dar ao partido, tal como aqueles que fizeram parte do grupo de trabalho de apoio a Santana Lopes, mutos deles presidentes de Junta com provas dadas no nosso concelho. Queremos continuar a trabalhar com todos”, disse.

“Demasiado verde”, disse Carlos Tiago sobre o novo líder do PSD

Esse grupo, composto por vários nomes conhecidos envolvidos diretamente na “máquina” fernandista do PSD de Vila Verde manifestaram apoio público ao candidato Pedro Santana Lopes.

Composto por vários presidentes de junta, como Carlos Cação ou Manuel Lopes, o grupo recolhe ainda o apoio do antigo líder da JSD, Carlos Tiago, da mulher-de-confiança de Vilela, Susana Silva, do presidente da junta de Sabariz, Fernando Silva ou de Jorge Oliveira, autarca de Dossãos, apoiados na retaguarda por José Manuel Fernandes.

Grupo de Apoiantes de Santana Lopes / DR

Grupo de Apoiantes de Santana Lopes / DR

Em comunicado antes das eleições, o grupo expressou apoio ao antigo provedor da Misericórdia de Lisboa, apontando garantias de “defesa” e “concretização de um projeto de desenvolvimento sustentável para o futuro do país”.

Rui Rio foi mesmo apontado como um candidato “demasiado verde” por Carlos Tiago, que é também adjunto do presidente António Vilela.

Vila Verde, com uma adesão de 718 militantes (436 para Rio, 271 para Santana) teve maior mobilização do que Braga (576 votantes) e do que Guimarães (305) e Esposende (127).

Rui Rio será o 18.º presidente do PSD desde o 25 de Abril de 1974, sucedendo a Pedro Passos Coelho, eleito em 2010.

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