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Vila Verde. Não gostou das obras em casa, partiu tudo e acabou detido

Fernando André Silva

Um homem de 60 anos foi esta quinta-feira detido depois de ter provocado uma série de desacatos durante as últimas 24 horas, dentro e ao redor da sua habitação, na Rua de Regada, em Estrumil, Vila Verde, alegadamente por não concordar com as obras sociais feitas na sua habitação, que não reunia condições de habitabilidade.

O homem estava sinalizado pelos serviços de ação social do Município de Vila Verde, e tinha a casa em obras desde o início da semana, fruto de um pedido da Junta de Freguesia de Oriz junto do Município de Vila Verde, uma vez que o homem não teria canalização em casa.

Os desacatos começaram quando o morador, que concordou inicialmente com as obras, viu o resultado das mesmas e começou a partir literalmente tudo em casa, a atirar o recheio pelas janelas, acertando inclusivamente numa vizinha com uma vassoura.

Segundo alguns vizinhos, é recorrente este morador ameaçar e insultar quem passa na rua.

Desde o início da semana que o morador, devido às obras, estava a viver num anexo, por baixo da habitação, queixando-se de “não poder tomar banho e dormir ao frio”.

José Araújo, presidente da junta de Oriz, ia a passar no local na quarta-feira quando se apercebeu da situação.

“Ia ajudar um vizinho com o trator e ouvi muito barulho vindo de dentro da casa dele. Parei e vi-o a destruir o pladour todo do teto e a fazer buracos com uma marreta”, contou o autarca. “Perguntei-lhe o que estava a fazer e ele disse para eu me pôr no c******”.

O morador não parou de insultar o presidente da junta enquanto ia destruindo pedaços da habitação, incluindo o vidro de uma janela pela qual atirou alguns pratos.

“Tivemos de chamar o 112 que enviou uma ambulância mas o homem não quis ir para o hospital então chamámos a GNR”, disse o autarca ao V.

Apesar de se terem deslocado ao local ontem à tarde, o homem acabou por permanecer na habitação, recusando auxílio dos Bombeiros ou da GNR, que não o transportaram por não encontrarem elementos para isso.

Durante a noite, terá acabado de desmontar o teto e utilizou algum do material para acender uma fogueira dentro de casa, no local onde estaria previamente uma lareira.

“Prometeram-me que iam fazer uma lareira como a que eu tinha, mas estão a montar tudo ao contrário”, queixava-se o homem aos serviços de ação social que se deslocaram a casa do mesmo esta quinta-feira, conversa a que o V assistiu.

O homem queixava-se ainda da “lentidão” dos operários apontando que “fizeram em quatro dias o trabalho de dois”, que só queriam “beber, fumar e andar na rua”.

Para além das técnicas de ação social, foi também ao local o presidente da junta, acabando o morador por o injuriar e acusar de não cumprir com o prometido.

No local, o homem acabou por “expulsar” de casa as técnicas e o presidente da junta, fechando-se na habitação. Depois, ameaçou que se não construíssem ainda hoje uma lareira, que ia “arder a casa toda”.

Os serviços de ação social acabaram por acionar os Bombeiros e a GNR que se deslocaram esta quinta-feira novamente ao local.

Uma vez lá, entraram todos para dentro da habitação e tentaram convencer o homem e deslocar-se ao hospital, uma vez que apresentava sintomas de surto psicótico.

Perante a recusa, e reiterando a ameaça que esta noite ia incendiar a casa com ele lá dentro, a GNR acabou por levar o homem para o posto em Vila Verde, sendo depois encaminhado para o Hospital de Braga pelos Bombeiros de Terras de Bouro.

Ao V, o presidente da junta lamenta a situação, e aponta outros casos complicados que precisam de obras e que não terão a “mesma sorte” deste morador.

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Jornalista