Opinião

Opinião. “Mas se eu não como açúcar…”

A diabetes é uma doença crónica, frequentemente desvalorizada pelos utentes e seus familiares. Segundo dados recentemente publicados pela Direção de Saúde, a prevalência estimada desta doença é de 12,4%, sendo que apenas 7% dos casos estão diagnosticados e tratados. Sendo uma patologia crónica, a diabetes não tem cura, mas pode ser controlada evitando, assim, que a longo prazo surjam complicações como a retinopatia diabética (“diabetes nos olhos”), neuropatiq (alterações na sensibilidade dos membros inferiores que, em última instância, podem levar a amputações) ou nefropatia (por afetação dos rins). Além da medicação, que pode ou não incluir a temida insulina, é fundamental a aquisição de uma alimentação variada e equilibrada e a adopção de estilos de vida saudáveis, como a prática de exercício físico regular, a cessação tabágica, o controlo da ingestão de gorduras e bebidas alcoólicas, entre outros.

Quando se fala em alimentação na diabetes, há ainda muitos medos e mitos que importa esclarecer. A verdade é que o doente diabético não tem, geralmente, que excluir nenhum alimento devendo, no entanto, controlar a quantidade e a qualidade das porções ingeridas. É fundamental a evicção dos alimentos processados e açucarados (por exemplo, não colocar açúcar no café, leite, chá ou cevada; evitar bolos e outras guloseimas). Deve evitar-se o pão de forma, tostas e bolachas, privilegiando o pão de centeio, por exemplo. Não tem que excluir as batatas, arroz e massa da alimentação, devendo ajustar a sua quantidade por refeição: por exemplo, uma batata pequena, duas colheres de arroz ou de massa a cada refeição é o suficiente e não deve ingerir pão ao almoço e jantar (este deve ser consumido ao pequeno almoço ou lanche). O prato consumido ao almoço ou jantar deve ser sempre acompanhado de legumes ou de leguminosas (como o feijão ou o grão), que devem ocupar metade do prato e, muitas vezes, podem substituir o arroz, massa ou batata. A sopa, confeccionada sem batata, deve preceder sempre o prato principal e ser rica em legumes variados. A fruta é também muito rica em açucares, pelo que a sua quantidade deve ser controlada: duas a três peças de fruta, distribuídas ao longodo dia, serão suficientes. Devem ser escolhidas frutas “menos doces”, evitando a ingestão abusiva de uvas, figos e outras similares.

De facto, se pensarmos bem, a alimentação recomendada ao doente com diabetes é a mesma que cada um de nós deve fazer: com porções pequenas, que incluam alimentos variados e a horas pré-estabelecidas (a cada 3 horas, idealmente), de forma a que se tenha uma alimentação equilibrada, essencial para a nossa saúde e bem estar.

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