Vila Verde

“Milinha”. Leva os Lenços de Namorados da Argentina às Filipinas

Fernando André Silva

No que a Lenços dos Namorados diz respeito, há um nome que salta a vista no panorama em Vila Verde.

A artesã Camila Silva, da freguesia da Loureira, é uma das mais reconhecidas criadoras e “reinventoras” deste tipo de artigos típicos do Minho, e as várias exposições a que atende demonstram isso, como é exemplo as duas recentemente inauguradas no Hospital de Braga e na livraria Centésima Página.

Ao Semanário V, a “Milinha”, como carinhosamente era apelidada pela avó, nos tempos da vida em Monção, conta o percurso que a trouxe a ser uma fas figuras mais reconhecidas desta tradição minhota.

“Nasci em Monção e sempre tive imaginação para desenhar e criar. De lá fui para a Córsega, em França e conheci o meu marido que era da Loureira, o que fez com que viesse morar para cá”, aponta a dona do ateliêr Milinha, à face da EN 101, na Loureira.

“Quando cheguei a Vila Verde, fiz uma formação de bordados na Adere-Minho, que agora é Adere-Certifica, e aprendi a bordar com os motivos dos Lenços de Namorados”. De lá para cá, Camila não mais parou.

Com várias exposições e prémios recebidos, os Lenços que Camila borda destacam-se pela inovação. “Tenho aqui alguns exemplares de inovação, como é o caso deste feito em linho preto com o tema da música, que fiz a pedido de uma filha. Aqui é sobre cinema, a pedido de outra filha”, refere Camila, salientando o ambiente cultural familiar.

Ambas as filhas de Camila seguiram o mundo das artes, mas a genética de artista já vem de outras gerações. “O meu pai tinha muitas poesias, dizia muitas quadras, e eu aproveito algumas delas para utilizar nos lenços que bordo”, refere Camila, mostrando-se amante da tradição.

“Vou tentando preservar e tento passar o conhecimento através de formações no IEFP, onde sou formadora há vários anos”, refere Camila, apostando que é uma boa forma de tentar combater o desemprego. Sobre os bordados, Camila defende que o “manual” é que dá valor ao produto.

Sou totalmente contra estampagem nos artigos inspirados pelos Lenços dos Namorados. Acho que devem ser pintados e bordados à mão. Só assim podemos vender produtos com valor”, refere, explicando que, por ter lenços certificados, e a todo o rigor que obrigam, clientes chegam a pensar que não se trata de bordado. “Uma vez, uma senhora começou a dizer que não era bordado porque não tinha o típico nó na parte de trás do lenço”, conta, divertida. “Tive de lhe explicar que se trata de um produto certificado e feito por profissionais, para que acreditasse que realmente era bordado”, acrescenta.

Com lenços espalhados por todo o mundo, desde as Filipinas, ate à Argentina, passando por vários países europeus, sul-americanos e asiáticos, Camila sente-se realizada pelo alcance do trabalho. Participação mediática também não lhe falta, tendo sido “convidada sete vezes seguidas” para programas de renome televisivo. “Ainda esta semana esteve cá o Portugal em Direto, da Dina Aguiar, a fazer uma reportagem”, conta.

A caminho de França, nesta quarta-feira, Camila prepara nova exposição nos países francófonos, sempre sem parar e sempre sem tempo. “O tempo que arranja para tirar ideias para as criações acaba por ser quando vou dormir. Se tiver uma noite de insónia, é porque vai sair uma ideia boa no dia seguinte”, finaliza.

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Jornalista