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Foi há um ano. Vila Verde acordou com a notícia da detenção de António Vilela e JLN

Fernando André Silva
 Está a fazer um ano que António Vilela, presidente da Câmara de Vila Verde, e João Luís Nogueira, diretor da EPATV, foram detidos pela Polícia Judiciária (PJ) de Braga no âmbito de suspeitas do Ministério Público (MP) de vários crimes de corrupção e prevaricação devido ao negócio da alienação dos direitos da EPATV do público para o privado.

 

A 14 de fevereiro de 2017, os dois foram detidos pela PJ e passaram a noite nos calabouços da sede daquela autoridade, em Braga, sendo presentes ao Tribunal de Braga apenas no dia 15.

Um ano depois, as medidas de coação impostas pelo juiz prescreveram, mas o caso conheceu um novo arguido – Rui Silva – e novas questões do MP, nomeadamente o pagamento de um milhão de euros por parte do Município de Vila Verde à EPATV quando o valor assinalado na contabilidade seria de apenas 40 mil euros.

António Vilela é levado pelos inspetores depois de passar a noite nos calabouços da PJ de Braga (15 de fevereiro 2017) Foto: FAS / Semanário V

Aquando da detenção, e através de comunicado da PJ, as suspeitas do MP recaiam sobre favorecimentos no concurso e nos moldes da venda, o que levou a arresto de bens a João Luís Nogueira, arresto esse que foi entretanto desbloqueado por já não ser prejudicial para a investigação.

Um ano depois, e com as medidas de coação inicialmente impostas pelo juiz levantadas por prescrição de tempo, o caso ainda se mantém em investigação, estando o MP a tentar apurar a razão de um acordo entre os dois suspeitos do pagamento por parte da autarquia de um valor de cerca de um milhão de euros à EPATV, quando a dívida registada na contabilidade é de cerca de 40 mil euros.

Essa situação levou mesmo a que Sofia Sampaio, responsável pelo departamento financeiro do Município de Vila Verde, fosse proibida pelo juiz de comunicar com António Vilela, medida entretanto revogada pois impedia o normal exercício de funções do autarca.

Três dias depois da detenção, todos os presidentes de junta do concelho de Vila Verde mostraram apoio a António Vilela

A detenção do presidente da Câmara de Vila Verde não saiu indiferente aos autarcas locais, que, a convite do próprio, se deslocaram à Câmara para ouvir o que o autarca tinha a dizer sobre a detenção. Nessa reunião, terá dito que é inocente e que a verdade seria reposta. Também todos os funcionários do município foram convocados por António Vilela, que chegou mesmo a emocionar-se enquanto pedia confiança de todos os trabalhadores, clamando inocência no processo.

Em outubro, António Vilela concorreu a um terceiro mandato pelo PSD e venceu com maioria, subindo mesmo a votação que tinha obtido em 2013, antes de qualquer processo em tribunal.

Também Rui Silva, deputado e líder do PSD de Vila Verde, foi considerado suspeito, sendo constituído arguido no mesmo processo já em dezembro de 2017. Durante seis meses, o líder da concelhia, o presidente da Câmara eleito pelo PSD e o diretor da EPATV não puderam comunicar entre si por ordem judicial, medida entretanto expirada.

O Ministério Público quer ainda apurar qual a razão para o presidente da Câmara de Vila Verde, António Vilela, fazer um acordo em pagar quase um milhão de euros à Escola Profissional Amar Terra Verde (EPATV), gerida pelo também co-arguido no mesmo processo, João Luís Nogueira, quando a própria contabilidade camarária apontaria apenas a dívida da autarquia de 40.612 euros, para com a escola gerida por Nogueira.

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