Destaque Vila Verde

Vila Verde. Mantém-se o segredo no “crime perfeito” que vitimou três irmãs em Coucieiro

Volvidos 19 anos do trágico e misterioso assassinato de três irmãs na freguesia de Coucieiro, em Vila Verde, a dúvida permanece.

Não foram achados quaisquer culpados do crime que vitimou Ester (70 anos), Rosa (71 anos) e Maria Olívia (65 anos), dentro da casa onde funcionava uma tasquinha, na fronteira entre Coucieiro e Sande.

O caso remonta a 31 de janeiro de 1999, e terá acontecido durante a hora da missa, a um domingo, com as três irmãs a serem violentamente assassinadas com objetos de ferro, naquilo que parece ter sido um ato de vingança ou apenas violência gratuita, uma vez que não roubaram ouro nem jóias.

O alerta foi dado por Fernando Malheiro, vizinho na altura, e que foi à tasca comprar tabaco. O morador, ao chegar ao local, viu tudo fechado e não obteve resposta. Acabou por regressar minutos depois, acompanhado de outras vizinhas, quando se apercebeu do corpo de Maria Olívia, encostado à porta principal, no interior da casa.

Seguiram-se momentos de pânico. Olívia e Rosa ainda estavam vivas. Ester, que estava na cama, morreu no local. Os criminoso usaram utensílios que estavam dentro da própria casa para desferir vários golpes na idosa, que tinha registo de pelo menos nove facadas.

As outras duas irmãs estavam fora de casa, e ao entrar, acabaram por ser atingidas com um objeto em ferro. Rosa morreu no dia seguinte, no Hospital de Braga, enquanto María Olívia ainda resistiu uma semana, em coma profundo.

Suspeitos em concreto: nenhum. A Polícia Judiciária fez uma investigação exaustiva, falando com familiares que poderiam ter algum interesse em adquirir a casa das mulheres, mas não chegou a qualquer conclusão. Também vários funcionários de uma pedreira, que eram os principais clientes das idosas, foram questionados, mas sem qualquer pista que levasse ao autor (ou autores) do crime.

Sem qualquer indício ou pista, o caso acabou por prescrever em 2014, podendo no entanto ser reaberto caso surjam novas evidências.

“Foi um crime muito bem feito porque nunca se descobriu nada. Foi o crime perfeito”

Passados 19 anos da tragédia, o Semanário V foi a Coucieiro falar com alguns moradores sobre o assassinato que, dizem “foi o crime perfeito”.

João Pereira, antigo proprietário do Café Baralha, em Coucieiro, lembra-se bem da história, embora a mesma tenha “caído no esquecimento público”.

“Foi a um domingo de manhã e eu tinha isto aberto. Apareceu aqui um irmão delas, no fim da missa, para beber um copo e vimos as ambulâncias a passar, mas não se sabia que era para as irmãs dele”, conta João Pereira, revelando que o crime deixou marcas.

“Como estava a custar perceber quem é que tinha feito aquilo, as pessoas, e passado o choque inicial, começaram a ter medo. Alguns compraram armas para defesa pessoal”, revela o antigo dono do Baralha.

Casa está à venda por 25 mil euros mas ninguém quer comprar

A casa, abandonada desde a altura do crime, está hoje coberta por um vasto mato que selvaticamente invade portas e janelas da habitação, já com telhado parcialmente desfeito e janelas partidas. Ao centro, e já há mais de um ano, encontra-se uma placa a assinalar a venda da casa.

A casa terá ficado com os herdeiros. Familiares em França, filhos de um irmão do marido de María Olívia, um irmão, que reside em Real, Braga e uma irmã que reside no Porto.

A casa terá o valor de 25 mil euros. “Houve um senhor que disse que lhe quiseram vender a casa por 25 mil euros, mas o homem não a quis comprar”, aponta um popular no café Baralha, que não quis revelar o nome.

“Honestamente, acho que para alguém comprar a casa tem que ser alguém de fora, que não tenha ouvido falar no crime. As pessoas têm medo disso, causa-lhes impressão”, diz ainda o cliente do café.

Caso prescreveu em 2014 mas pode ser reaberto

Segundo informações recolhidas junto da Polícia Judiciária de Braga, o caso está prescrito por nunca se ter encontrado qualquer indício que revelasse os autores do crime.

Segundo a PJ, na altura do crime, dezenas de populares acabaram por entrar dentro de casa das vítimas remexendo em vários utensílios, o que levou a interferências na altura de recolher provas.

Desconfianças, algumas. Chegaram a entrevistar um sobrinho que morava na França, que terá sido um dos primeiros suspeitos. Também trabalhadores de uma pedreira que funcionava ao lado da casa das vítimas, foram entrevistados, mas sem que se chegasse a algum mote do crime ou alguma prova de execução do mesmo.

Segundo a mesma fonte, e apesar de estar prescrito, o caso poderá ser reaberto caso surja alguma nova evidência, mas será difícil de isso acontecer.

“Já passaram tantos anos desde que aconteceu isso. Se calhar a pessoa que fez isso já morreu”, aponta João Pereira, reforçando a ideia que se tratou de… um crime perfeito.

Comentários

Acerca do autor

Paulo Moreira Mesquita

Paulo Moreira Mesquita

Diretor Semanário V

Deixar um comentário