João Paulo Silva Opinião

Opinião. “Os rankings e a Escola Pública: a mentira no Minho”

João Paulo Silva
Escrito por João Paulo Silva

O título é provocatório e pretende trazer para a reflexão duas ideias: o que é isto do mérito e o que é isto do reconhecimento do mérito nas escolas da nossa região.

Sabemos hoje, pelo histórico já desenhado nos últimos anos, que os rankings não ajudaram a melhorar as escolas com mais dificuldades e, pelo contrário, contribuíram para aumentar o fosso entre as que têm melhores resultados e as que não conseguem obter os mesmos níveis de desempenho.

Os rankings são muito populares porque transmitem uma ideia básica de jogo, sempre tão aliciante para um cidadão menos atento e porque sugerem uma falsa ideia de mérito. Confunde-se mérito com meritocracia.

E, como se tem visto nas nossas escolas, a questão não está na qualidade do serviço educativo que é prestado por cada uma das escolas, mas sobretudo nos resultados que alguns alunos conseguem obter nos exames, sejam eles do nono ano ou do ensino secundário. Sabem os professores, os alunos e as famílias que as Escolas são muito mais que isso.

Olhemos, por exemplo, para os resultados dos exames do nono ano no concelho de Vila Verde.

A Escola Básica de Vila Verde teve uma média de 3,26 (numa escala de cinco) e é a única que entra nas primeiras duzentas a nível nacional, pelo menos na lista do Público. A Escola Básica do Prado tem uma média inferior a três pontos e está quase no lugar quinhentos a nível nacional. A Monsenhor Elísio Araújo tem também uma média inferior a três pontos, tal como a Básica de Moure e Ribeira do Neiva. A Escola Secundária de Vila Verde tem mesmo uma média inferior a dois pontos.

Se em relação às escolas privadas, sabemos que a seleção é naturalmente feita pelo poder económico das famílias, relativamente às escolas públicas, os últimos anos têm ajudado a criar a ideia de que umas são melhores do que outras e a seleção começa a ser feita à entrada, não pelas famílias, mas pelas escolas.

Se para a Escola A houver apenas dez vagas para cinquenta alunos, está bom de ver quem vai escolher o quê.

Ora, o efeito perverso dos rankings é o de criar uma ideia de que na Escola A se trabalha melhor que na Escola B. Sabemos todos que a qualidade dos profissionais não se mede pelas notas dos alunos nos exames, mas toda a gente parece ignorar isso e continua a correr para colocar o filho no “Liceu” ou na Secundária. Todos procuram ser criativos na altura de encontrar uma morada para entrar na Escola X ou Y.

Façamos um exercício – procurem comparar os resultados nos exames da D. Pedro com a Inês de Castro, ambas em Canidelo. A Sophia com a Arquiteto Oliveira Ferreira, em Arcozelo e a Soares dos Reis com Vila D’Este. Mesmo sem verificar os resultados, o que lhe parece caro leitor?

Será que as Escolas, havendo uma colocação nacional dos professores, onde todos passam por todas as escolas, são assim tão diferentes? A qualidade (ninguém sabe o que isso é!) é assim tão diferente? Não é! No distrito de Braga o Conservatório lidera a classificação, seguindo-se a Básica de Fragoso (Barcelos) e a António Correia Oliveira de Esposende. A questão está nos alunos, na importância que as famílias dão à escola, isto é, o mérito das Escolas nos rankings está na seleção feita à porta.

A sociedade em que acredito valoriza os processos e envolve-se na Educação de todos de forma dedicada e desde a primeira infância, porque todos são necessários para educar cada uma das nossas crianças.

Todos somos parte do sucesso (ou insucesso) de cada um dos nossos cidadãos. Acabemos com os exames, com a mentira dos rankings e comecemos a construir outro modelo de acesso à Universidade.

Pelo nosso futuro!

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João Paulo Silva

João Paulo Silva

Professor de Matemática