Nídio Silva

Opinião. “Duas notas da atualidade”

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Portugal vive, por estes dias, uma situação singular: os quatro maiores partidos do nosso espectro partidário têm nas suas lideranças quem defenda a regionalização do país, coisa que, aliás, lembre-se, está consignada na nossa Lei Maior. Se a isto acrescentarmos a vontade do atual executivo liderado por António Costa de lançar mãos a uma reforma administrativa séria e a sério, que comece por extirpar o que de mal ficou da que recentemente nos caiu em cima, temos reunidos os ingredientes necessários para envolver os portugueses num verdadeiro governo de proximidade que encurte drasticamente o caminho que hoje ainda nos leva ao Terreiro de Paço vezes sem fim, por tudo e por nada.

Os conhecidos treinadores de bancada vão, desde já, como habitualmente, fazer cair sobre o que aí vier o estigma dos tachos, dos jobs for de boys e não sei mais do quê. Claro que, bem o sabemos, nenhuma dessas más línguas militantes se haverá de disponibilizar para participar civicamente seja no que for, pois têm pavor em mostrar que, afinal, não sabem nada de nada para além da verborreia que brota da incivilidade de cada um deles. Como vozes de burros não chegam ao céu, vamos lá acabar com o país parolo que não sabe viver para lá de Lisboa?

II

Ainda e sempre as redes sociais, a imprensa escrita, vista e falada, e os jornalistas que andam nesses lugares. As coisas não vão bem para os grupos de comunicação e os seus periódicos, afogados em dividas colossais e absolutamente à beira do abismo. Todos já percebemos que há um país farto do que lhe entre portas adentro pelo pequeno ecrã e que, paulatina, mas irreversivelmente, tem deixado de comprar jornais. Vemos, ouvimos e lemos o acantonamento da imprensa junto de uma certa direita (e não é só do Observador que estou a falar, nem da SIC, nem…), cobrindo um espetro político que representará para aí cinco por cento do país real.

Também vemos, ouvimos e lemos o que muitos dos responsáveis editoriais, e não só, vão debitando na rede, sobretudo no facebook. Eles, certamente, não serão surdos e cegos aos comentários com que são “mimoseados” a cada post que vão colocando online. Inenarrável, aqui, o que por lá se diz a propósito.

Claro, que verbero o tom soez com que muitos se atiram positivamente aos periodistas que se afoitam na rede. Faço-o em nome da liberdade de imprensa que defenderei até à morte. Agora, que é verdade que na sua prática quotidiana muitos se poem a jeito, lá isso põem. Se aprendem, duvido. Se qualquer dia estarão a falar e a escrever para o boneco, talvez.

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