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Vila Verde. Em Aboim há “geringonça” política. E funciona!

João Fernandes (PSD) e Diogo Santos (IND) (c) FAS / Semanário V
Fernando André Silva

João Fernandes (PSD) foi reconduzido na Junta de Aboim da Nóbrega e Gondomar, em outubro passado, mas não conseguiu a maioria, elegendo quatro mandatos. Diogo Santos (IND) e Fábio Cerqueira (PS), juntos, conseguiram cinco. Ditou o acordo de cavalheiros entre os três que se unissem para ocuparem os três primeiros lugares cimeiros da lista, havendo assim hipótese de governação naquela freguesia de Vila Verde.

Aos sábados, é sempre possível encontrar os três na freguesia, onde, diz-se, a “geringonça” apruma a máquina. “Chegamos, sentamos e conversamos. Sobretudo conversamos, damos opiniões até que chegámos a um ponto em que acertamos agulhas”, refere João Fernandes (278 votos), presidente da junta.

Para já, entendem-se com visitas à Câmara de Vila Verde para “lembrar” António Vilela que há uma avenida por acabar. “Estamos em negociações com a Câmara e lá para meados de abril a avenida deve ficar pronta”, diz o autarca.

Logo o secretário Diogo Santos (197 votos), eleito como independente, se apressa a confirmar. “Combinamos tudo entre nós para que alguns trabalhos comecem rapidamente a avançar na freguesia”, refere, apontando que a “juventude é um aliado para o sr. João”.

“Não tenho nada a apontar a estes rapazes novos. Não escondo nada, faço tudo com normalidade, como fazia antes. Eles são novos, têm um futuro pela frente e é bom que se interessem pela freguesia”, diz João Fernandes.

Fábio Cerqueira (173 votos), ocupa funções de tesoureiro e, depois de algumas horas de trabalho com os colegas de junta, não esperou para a reportagem no final por motivos pessoais. “Cole-me depois no photoshop”, mandou dizer ao jornalista [que poderia ter chegado mais cedo].

Fábio Cerqueira (ao meio) – Tesoureiro (PS)

O pensamento de desenrasque do candidato acaba por ser o pensamento da “geringonça”. Pode parecer um remendo de uma situação que ninguém queria antes das eleições, mas que acaba por funcionar e deixar um sorrisos, por entre a responsabilidade, nos intervenientes. Mas vamos a obras, que é “o que o povo precisa”.

“A partir de março já arrancámos com algumas obras prioritárias como o alargamento de alguns caminhos, a construção de muros e outras obras que o orçamento permita”, diz João Fernandes, enquanto aponta para um documento de contabilidade.

“E na próxima semana vamos recrutar um funcionário para a junta a tempo inteiro, que antes não havia”, acrescenta Diogo Santos, revelando uma das inovações que a juventude trouxe ao executivo. E até já criaram uma página nas redes sociais

Alheio ao Facebook, João Fernandes concordou prontamente com a ideia de contratar um funcionário a tempo inteiro. “Acho que é uma medida importante porque permite poupar dinheiro porque dantes era pago a prestadores de serviço”, refere.

João Fernandes – presidente da junta (PSD) (c) FAS / Semanário V

Outra novidade, produto da “geringonça” será uma carrinha de nove lugares para servir as associações da freguesia. “Estamos a tentar”, remata Diogo Santos.

Mas João Fernandes refere que a prioridade de momento é a limpeza dos terrenos, ou não fosse a freguesia uma das incluídas na lista do governo como prioritárias para limpeza de matas ao redor de casas e de caminhos.

“Vamos falar com o comandante dos bombeiros para nos dar algumas indicações porque queremos abrir faixas de segurança para que possam passar para locais de difícil acesso”, diz Diogo Santos, que tinha como bandeira eleitoral uma maior atenção ao problema dos incêndios.

Diogo Santos – Secretário (IND) (c) FAS / Semanário V

“Temos alguns lugares que estão em grave risco, como Casais de Vide e a Bemposta, que até ainda hoje lá houveram incêndios”, diz o presidente da junta. “Vamos limpar à volta das casas até 15 de março e as estradas e caminhos até maio”, vinca João Fernandes.

Com as arestas bem limadas e a “geringonça” a funcionar em pleno, em remate final, João Fernandes deixa um conselho para outro concelho. “Conversem, falem, ouçam, que os acordos resultam. Tudo dentro da normalidade”, remata para a nova “geringonça” aprovada em Maximinos.

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Fernando André Silva

Jornalista