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Vila Verde. Em Ponte São Vicente chama-se os bombeiros antes da tragédia

Bombeiros utilizam a "cafeteira" para fogo-controlado (c) FAS / Semanário V
Fernando André Silva

Em Ponte de São Vicente, concelho de Vila Verde, o terreno florestal faz parte da paisagem e de grande parte do território da freguesia, o que obriga a esforço redobrado do executivo da junta para limpar os terrenos para prevenir incêndios.

Esta sexta-feira, a junta pediu ajuda aos Bombeiros de Vila Verde que efetuaram uma sessão de gestão de combustível de incêndio (fogo-controlado), num hectare de mato em local perigoso, mas que já não vai colocar ninguém em perigo durante o verão. E o Semanário V acompanhou.

Luis Morais (BVVV) e António Vieira (junta) à chegada ao terreno (c) FAS / Semanário V

António Vieira, atual secretário da junta que liderou os destinos da freguesia nos últimos 12 anos, não quis ser apanhado desprevenido em relação a essa parcela de mato seco, autêntico combustível para um incêndio, que rodeava um complexo industrial, uma estufa e várias casas.

“O ano passado limpámos este terreno em 30 metros mas fomos multados na mesma em 900 euros porque eram necessários 50 metros”, lamenta António Vieira, apontando algumas partes em “que nem de máquina dá para limpar”.

“Este ano resolvemos limpar a área toda e pedir aos bombeiros para realizar esta queimada em locais que não tínhamos acesso”, refere.

Bombeiros asseguram perímetro ao redor do fogo (c) FAS / Semanário V

A área foi previamente preparada por máquinas que cortaram o mato e juntaram os sobrantes (ramos caídos, folhas, etc). Concluída a preparação de limpeza, os bombeiros iniciam uma sessão de fogo-controlado, com recurso à “cafeteira”, uma máquina lança-chamas que, em conjunto com a devida humidificação das zonas ao redor da área que é suposto arder, estabelece um perímetro de onde o fogo não foge.

Mas não é fácil para as juntas, devido aos gastos. “Isto não é fácil e dá despesa”, diz o secretário.

“As juntas têm dificuldade em suportar limpeza de mato e nós temos muita para fazer. De Coucieiro até Oriz temos uma área de 20 casas que temos de limpar todas e a junta não tem dinheiro para isso”

“Se gastarmos 10 mil euros em limpeza de monte não dá para fazer muito mais. Podemos sempre tentar cortar e vender alguns pinheiros para pagar a llimpeza mas o preço da tonelada está muito baixo. A ajuda de hoje dos bombeiros foi preciosa”, finaliza.

Foi-se o mato, ficou o pinhal (c) FAS / Semanário V

Luís Morais, segundo-comandante dos Bombeiros de Vila Verde esteve no terreno a fazer o controle da “queima” e, em conjunto com sete operacionais, realça o sucesso da operação.

“À nossa chegada estavam as faixas de segurança feitas pela junta de freguesia, foram eles que o assumiram. E toda a manobra de fogo controlado é da nossa responsabilidade, feita com segurança, avaliando o relevo, o combustível e as questões de segurança”, diz, mostrando a área “limpa” pelas chamas onde anteriormente estava um ponto crítico para incêndios.

“Como podem ver queimamos de forma parcelar e em poucos minutos toda a área que estava em risco fica segura durante o verão”, aponta, elogiando a atitude de Ponte São Vicente.

Bombeiros utilizam a “cafeteira” para fogo-controlado (c) FAS / Semanário V

“Isto é aconselhável a todas as freguesias. A junta teve um excelente papel, fez uma faixa com bastante dimensão que nos permitiu trabalhar em segurança”; diz ainda, desmistificando algumas críticas ao “fogo para combater o fogo”.

“Isto é pedagógico. Ainda agora recebi um telefonema de um senhor idoso que deixou fugir uma queimada, avançou para mato que tinha à volta da casa e iniciou um incêndio. Isso é crime. Sugiro que não o façam. Há meios próprios, com esta segurança, sem risco para os operacionais, nem para as habitações, nem para as industrias”, diz, enquanto recebe outro telefonema para nova queima descontrolada.

Só nessa sexta-feira, foram cinco incêndios iniciados por queimadas descontroladas. No sábado, outras quatro. E neste domingo, as queimas transformadas em incêndios chegaram a Barbudo e à Carvalhosa, no centro de Vila Verde.

“O que a junta de São Vicente aqui fez foi um excelente trabalho. Em parceria connosco, estamos a prestar um serviço à sociedade que me parece extremamente importante, podendo prevenir o acontecimento de possíveis tragédias”, finaliza o segundo-comandante.

No final, foi queimado o mato rasteiro em cerca de um hectare, ficando o terreno completamente limpo de combustível (c) FAS / Semanário V

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Jornalista

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