Vila Verde

Terceira idade. Vila Verde pode vir a ter provedor do idoso

Fabrico do pão em Valbom (c) FAS / Semanário V
Fernando André Silva

Vila Verde pode vir a ter uma figura concelhia para lidar com queixas e problemas relacionadas com abandono e maus tratos a idosos.

Segundo Carlos Branco, presidente da Comissão de Proteção ao Idoso (CPI), são quatro os municípios do Minho que vão criar a figura de Provedor do Idoso, à semelhança do que já foi feito em Amares. E Vila Verde poderá ser um deles.

Durante uma conferência no Porto sob o âmbito da violência contra idosos, o responsável disse que a CPI avançou há cerca de um ano com a criação da provedoria do idoso, porque “a nível local, não obstante o trabalho meritório das misericórdias, das próprias autarquias e associações que estão no terreno, não existe nenhuma instituição que se dedique e que se ocupe concretamente dos idosos”

Essa figura, de acordo com Carlos Branco, enquadra-se sempre no município, por serem “as entidades mais próximas das populações, conseguindo de forma hábil diagnosticar os problemas sociais locais”.

“Preconizamos que esse provedor seja indicado pela rede social, a câmara municipal valida em sede de executivo e assembleia municipal e, depois, terá de ser validado pela comissão de proteção ao idoso, com quem vai trabalhar”, explicou.

Questionada pelo V sobre a possibiliade de Vila Verde vir a receber esta provedoria, fonte da CPI indicou que “já foram estabelecidos contactos com pessoas ligadas à ação social” e que “poderá ser criado, mesmo que não numa primeira fase, mas posteriormente”.

A experiência piloto foi iniciada em 2017, “em Guimarães e Amares, e, entretanto, já foi alargada à Póvoa de Lanhoso. Existem mais quatro municípios do distrito de Braga onde será implementar já no imediato e ainda na Trofa, distrito do Porto”.

“Em Portugal é já possível aferir um aumento do número das vítimas idosas, apresentando agora 1.009 pessoas idosas vítimas de crime (em média três por dia e 19 por semana). Das 1.009 vítimas registadas em 2016, contra 774 em 2013, 679 tinham idades entre os 65 e os 79 anos (67,4%) e 330 tinham entre 80 e mais de 90 anos (32,6%)”, disse.

“Estamos no topo da Europa como o país que menos investimento tem para os idosos”, disse a médica Antonieta Dias, presente na mesma sessão.

Um estudo da Organização Mundial de Saúde que envolveu 53 países coloca Portugal no grupo dos cinco piores no tratamento aos mais velhos, com 39% dos idosos vítimas de violência.

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Jornalista