Vila Verde

Vila Verde. Ética, ou falta dela, dominou as intervenções na Assembleia Municipal

Fernando André Silva

Foi longa e animada a última Assembleia Municipal de Vila Verde, que decorreu na passada segunda-feira, com alguns dos principais intervenientes a apontarem “falta de ética” em alguns dos deputados deste novo hemiciclo, numa alusão a alguns deputados do PS. Martinho Gonçalves não gostou e foi ao palanque, onde soltou “meninos” para a bancada do PSD.

Mas foi mesmo o assunto da “ética” que dominou o período prévio à ordem de trabalhos, com Filipe Lopes (PSD) e Cláudia Pereira (CDS) a desenvolverem apresentações a pedir um comportamento “mais apropriado às intervenções numa assembleia municipal”.

Cláudia Pereira apresentou mesmo uma comunicação intitulada “Conduta na Assembleia Municipal”, onde acusou alguns deputados de “falta de civismo”. A centrista começou por dizer que se apresentou na assembleia com “uma postura de integração num grupo alargado para construir melhores condições e infraestruturas, de forma a que os conterrâneos tenham orgulho de viver neste concelho”.

No entanto, Cláudia Pereira aponta deceção no que toca às duas últimas sessões, apontando “falta de civismo e atitude menos própria” de elementos que compõe a assembleia.

“Fiquei com a sensação de que estão aqui para elogiar o seu passado pessoal e enaltecer o partido a que pertencem”, refere, acrescentando que os deputados estão ali “porque o eleitorado acreditou nos programas e nas propostas”.

Cláudia Pereira lançou ainda um ataque aos socialistas que pediram “união” ao plenário numa das intervenções. “Como atenta que sou, ouvi todos os discursos proferidos, um deles que remetia para a união de todos, a qual concordo. Mas nas comunicações posteriores não se viu essa atitude e eu não aceito que utilizem este órgão de soberania para debater frustações policitas e confrontos pessoais que nada dignificam VIla Verde”, referiu a deputada do CDS.

Também Filipe Lopes, deputado do PSD, apresentou uma comunicação sobre “assegurar a ética na política”. O social-democrata diz que “determinadas pessoas com responsabilidades políticas nesta assembleia desprezam a conduta ética”. Filipe Lopes foi mais longe que Cláudia Pereira e acusou alguns deputados, sem mencionar nomes, de “comprar ética alheia”. “Política e ética são dois temas que deveriam andar de mãos dadas, mesmo que não seja possível alcançar entendimento. Esse devia ser um objetivo de todos que operam na área da política”, finalizou.

Já Susana Silva, deputada do PSD, preferiu apontar “intervenções demoradas” dos deputados socialistas. Em intevenção dirigida ao presidente da Assembleia Municipal, Carlos Arantes, a social-democrata clamou não poder “deixar pasar em branco a benevolência no cargo que ocupa em relação às intervenções das bancadas, mas mesmo assim gostaria de questionar se alguns partidos políticos têm algum acordo para exceder o tempo”.
“Não coloco em causa os assuntos que o PS traz cá ou relevância de serem discutidos, mas posso colocar em causa comentários ou a forma como o fazem. No entanto, não posso deixar de referir que hoje foram mais 25 minutos, Na ultima foram mais nao sei quantos minutos e tivemos de vir no dia seguinte. Se cada um cumpre o tempo que quiser ou se podemos vir com 30 ou 40 intervencoes de cada um dos seus membros , teremos a mesma benevolência da mesa?”, questionou a deputada.

Martinho Gonçalves, líder da bancada socialista, subiu ao palanque para “lamentar” as acusações. “Não sabem fazer política. Se calhar estão à espera que os deputados do PS façam como os do PSD e venham aqui dizer que sim a tudo, sem discussão, sem rebater ideias. Isso não é política, posso-vos dizer. Isso não é defender os interesses do concelho”, referiu.

A intervenção motivou ainda novo pedido de um deputado do PSD, que não se identificou (como mandam as regras) e lançou mais ‘achas para o lume’. Subido ao palanque, começou por dizer que “não estamos aqui para dizer que sim seja ao que for”, lançando depois um ataque mais direto. “Enquanto líder da sua bancada, não viu nenhum elemento do PSD fazer o que fez um elemento dos socialistas, na última assembleia, ao vir aqui falar de gente que já nem sequer exerce funções”, referiu.

Martinho Gonçalves não gostou e pediu defesa da honra, o que motivou uma intervenção final, negando ter dito o que o deputado do PSD lhe apontou. “Eu não disse isso. O que eu disse foi que aquela bancada [PSD], ao contrário de mim, parece gostar de deixar as coisas por esclarecer”, referiu, apontando a ausência de respostas concretas de António Vilela sobre vários assuntos. “Eu não gosto de deixar nada por esclarecer, respondo a todas as pessoas e digo aquilo que me vai na alma, para o bem e para o mal. Tenho coerência e não admito que me façam acusações sem dizer o quê. Isso é que não é nada ético. Enquanto estes meninos não se convencerem que não se pode abrir a boca para difamar alguém sem dizer o motivo, não deviam falar de ética. Querem ética? Tenho muito a falar sobre ética”, finalizou.

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Jornalista