Opinião Paula Ferreira

Opinião. “Olh’ó Pingo!”

Paula M. Ferreira
Escrito por Paula M. Ferreira

Com a chegada da Primavera começam as queixas… nariz a pingar ou, por outro lado, entupido, comichão nos olhos, nariz e boca, espirros, dores de cabeça… E lá vem o comentário “é a minha rinite alérgica”. Na verdade, esta entidade existe e é frequente, mas nem todas as rinites (que são nada mais nada menos que a inflamação da mucosa nasal) têm uma causa alérgica. De facto, em muitos casos, não é detectado qualquer tipo de alergia e a doença está associada a infeção (seja esta vírica ou bacteriana) ou a uma resposta imunológica exacerbada aos poluentes do ar, diferenças de temperatura, reação a alimentos ou até mesmo associada ao estado emocional. Neste último caso, estamos perante uma rinite vasomotora. A diferenciação da etiologia base destas entidades é muito importante para a instituição do tratamento, para prognóstico e para prevenção de quadros futuros.

Concentremo-nos agora na rinite alérgica. É uma doença frequente na população em geral e está associada a quadros de mal-estar e a abstinência laboral frequente. O diagnóstico é geralmente realizado com base na apresentação clínica da doença e na identificação de possíveis agentes desencadeantes (como o pólen, os ácaros, fungos, entre outros) e, em casos justificados, pelo doseamento da imunoglobulina E no sangue, que está aumentada nestas situações. Nos casos em que o desencadeante é desconhecido, poderá ser necessária a realização de testes mais específicos para clarificação da causa (por exemplo, os “prick-tests”, nos quais uma pequena quantidade de alergénio é inoculada no braço e algumas horas depois é quantificada a reação local).

Apesar de incómoda e crónica, a rinite alérgica tem tratamento e pode, na maioria dos casos, ser prevenida com a evicção do alergéneo (substância à qual temos alergia). Por exemplo, se o quadro clínico for desencadeado pelo pólen, algum tempo antes do início do tempo quente, pode ser instituído tratamento preventivo com anti-histamínicos ou corticoides, de forma a prevenir exacerbações muito intensas. Por outro lado, nos casos em que a doença é ocasionada pelos ácaros, previsivelmente o indivíduo sentir-se- á pior no Inverno, quando o tempo é mais húmido e este permanece mais tempo no interior de casa. Em muitos casos, pode ser necessário tratamento com imunomodeladores/vacinas, de forma a diminuir a gravidade e a frequência das exacerbações. Em todos os tipos de rinite, a lavagem adequada das fossas nasais com soro fisiológico ou água do mar, de forma diária é importante.

Assim, se tem o nariz a pingar… não use o remédio do vizinho! Recorra ao seu médico para um diagnóstico e para a implementação de um tratamento eficaz! Não deixe passar ao lado todos os aromas primaveris!

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Paula M. Ferreira

Paula M. Ferreira

Médica especialista em Medicina Geral e Familiar