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Vila Verde. Mãe da portuguesa assassinada na Bélgica pede às mulheres que denunciem abusos

Pais de Maria da Rocha, assassinada pelo marido na Bélgica (c) FAS / Semanário V
Fernando André Silva

Maria Gonçalves da Rocha tinha 45 anos e vivia na Bélgica com o marido belga e a filha de ambos, há onze anos. Terá sido assassinada à facada na madrugada desta terça-feira, pelo próprio marido, dizem as autoridades belgas.

Em Oleiros, Vila Verde, de onde é natural a família de Maria Rocha, a consternação e revolta é enorme por entre os familiares. Deixa uma filha de nove anos que terá assistido a tudo. Os pais da vítima mortal, foram apanhados de surpresa com este desfecho, não desconfiando que o genro seria capaz de cometer tal barbaridade.

Maria da Glória Gonçalves, mãe, abriu as portas de casa ao Semanário V, visivelmente emocionada com o trágico desfecho da filha, sobretudo porque não desconfiava que o genro fosse fazer algo deste género.  A mãe, e hoje que é o Dia Internacional da Mulher, deixa mesmo um conselho para todas as mulheres que possam estar em risco de violência doméstica.

“Todas as mulheres, se realmente sofrem, deviam de os denunciar. De se libertarem o mais rapido possivel. Não há direito de matar assim uma mulher. Não há direito. Estou revoltada contra ele, por ter feito uma coisa destas. Como é possível”, diz Maria da Glória, tolhida pelas lágrimas.

“O meu genro, esse homem, parecia uma pessoa inacreditável”

“Nem tudo o que parece é… O meu genro, esse homem, parecia uma pessoa inacreditável. Chegávamos lá, não tinha mais do que olhar por nós, nunca nos ofendeu. A minha filha dizia sempre que estava tudo bem. E ele mata a minha filha não sei porquê. Não sabemos o motivo”, diz Manuel Rocha, consternado, confessando que “está a ser um momento muito difícil de ultrapassar”.

“Este desgosto.. não há palavras. Estamos revoltados pelo que aconteceu. Ainda no domingo a nossa filha mandou-nos uma mensagem a dizer que estava tudo bem e na terça de manhã acontece isto. Na altura pensámos que tinha morrido de um ataque, ou algo do género, só na quarta-feira, é que disseram-nos que na internet se dizia que ele a matou. Comuniquei a um genro meu que está no Luxemburgo e ele foi à polícia belga para saber uma certeza. Ele perguntou e as autoridades disseram que foi mesmo ele que a matou”, diz o pai de Maria da Rocha, que quer que a neta, agora a cargo da polícia belga, venha viver com os avós.

“A minha neta, vamos tentar trazer para o Luxemburgo para ficar connosco. Da parte do pai ela não tem grande família. Ele tem um filho com 18 anos e uma irmã, mas a nossa neta vem viver connosco ou com algum tio no Luxemburgo”, vinca o emigrante natural de Cervães, Vila Verde.

Maria Rocha era cabeleireira e tinha o próprio salão, a pouca distância do bar onde foi encontrada morta, que era gerido pelo marido. O bar encontra-se fechado por ser uma cena de crime.

O corpo da portuguesa chega a Vila Verde esta sexta-feira e vai a sepultar no próximo sábado no cemitério paroquial de Oleiros.

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Fernando André Silva

Fernando André Silva

Jornalista