Opinião

Opinião. Cidadania e cultura

Augusto Faria
Escrito por Augusto Faria

Depende da capacidade que tivermos para criar uma efetiva interação entre a cultura e a cidadania. A melhoria das condições de vida, leva-nos a um exercício de qualidade de cidadania. A emancipação social, principalmente entre os mais jovens, são confrontados com incertezas, o que torna um exercício inibido da cidadania.

É nos dias de hoje necessário que a cultura esteja presente na Escola, para que esta seja a base material e humana para sustentar a divulgação e fruição da atividade cultural. Um povo que não é fruidor de cultura, é um povo sem massa crítica e que se mostra incapaz de optar em consciência por aquilo que é essencial para a definição do seu futuro. No Portugal de hoje, a população consome grande parte das suas vidas a ver televisão, com a falta de qualidade que todos nós sabemos.

Os nossos jovens ingressam no ensino com horas e horas de televisão, porque em grande parte deste país, os concelhos não apostam na vertente educativa, mais de noventa por cento, não dispõe de uma única sala de espetáculos, menos ainda um auditório ou galerias de arte. As escolas são muito mais que um espaço familiar, é o primeiro contato com a cultura, porque numa grande maioria das casas deste país, não há livros, nem hábitos de fruição cultural. Só harmonizando e interligando a ação da escola com os agentes culturais mais participativa e mais motivadora. Quanto mais a cultura for um espaço de consenso e de convergência, mais ganhos sociais haverá para todos.

Hoje o processo de comunicação deste país, é mais de mercantilização que deixe reféns de uma realidade mais virtual do que real, regida pelas regras de audiências, e das sondagens, aproveitando-se de um inquietante vazio de valores éticos e morais, e esse vazio reflete-se inevitavelmente com perniciosas consequências da prática cultural.

A cultura é atingida pelo processo de transformação social que nos está a marcar. Criando diferenças entre culturas científica, artística e cultura popular. Para que seja possível um bom exercício de cidadania, é na escola que deverão começar a ser analisados e meditados, porque é aí que surgem jovens interessados em realizar-se profissionalmente através de atividades culturais e artísticas.

O surto de talentos com que deparamos nas áreas da música, teatro e dança, mostram que a arte e a cultura são cada vez mais mercados de emprego. Para uma maior emancipação, com mais cultura e instrução, seremos um povo mais aberto, tolerante e dialogante e com um grau mais elevado de cidadania.

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Augusto Faria

Augusto Faria

Ex dirigente associativo