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Vila Verde. Domingos Silva salvou família de incêndio em vivenda

Domingos Silva, em Ponte São Vicente, Vila Verde (c) Luís Ribeiro
Fernando André Silva

Momentos de pânico e terror para a família Silva na madrugada desta terça-feira depois de um curto circuito ter provocado um incêndio na garagem da sua habitação, no Bairro de Fontelos, em Ponte São Vicente, Vila Verde.

Domingos Silva, patriarca que vive com a mulher e um filho no primeiro piso da vivenda relatou ao Semanário V os momentos de aflição que viveu, em conjunto com outro filho, Nuno Silva, que habita no piso superior com a esposa e uma filha bebé de três meses.

O incêndio deflagrou por volta das 00h30 desta terça-feira numa arca congeladora, situada na garagem da habitação. “Já estávamos todos a dormir quando acordei com um estrondo, que terá sido uma das botijas da arca a explodir”, revela Domingos, explicando que quando saiu do quarto até à garagem encontrou o espaço “envolto em fumo com chamas já a bater no teto”.

Na vivenda situada no Bairro de Fontelos, em Ponte São Vicente, vivem seis pessoas

“Mal vi o fumo abri a janela do quarto e selei com roupas a porta do quarto onde estava o meu filho que tem incapacidade de 97% devido a paralisia cerebral para não entrar para lá o fumo”, diz.

Para aceder ao piso superior onde estava outro filho, a nora e uma neta, tinha de subir as escadas interiores que estavam na garagem, em chamas. “A reação foi subir as escadas até ao piso de cima para avisar o meu filho”, conta Domingos, explicando no entanto que não foi possível subir na primeira tentativa.

“Não consegui subir porque as chamas já estavam a bater no teto junto às escadas e a temperatura era muito alta. A minha mulher ainda tentou ir por outro lado mas não havia hipótese, sabia que era por ali que tinha de subir, então passei pelo meio do fumo e bati com a cabeça porque não se via nada, mas lá consegui achar o puxador da porta. Fui ao quarto deles e disse-lhes para fugirem”, conta Domingos.

Domingos Silva, em Ponte São Vicente, Vila Verde (c) Luís Ribeiro

O filho, Nuno Silva, a nora e a bebé de três meses conseguiram fugir por uma porta daquele piso para o exterior da habitação, colocando depois a bebé dentro de um carro, em segurança.

“O passo seguinte foi tirar o rapaz de dentro do quarto, porque ainda lá estava”, conta Domingos, explicando que saltaram pela janela do quarto e conseguiram passá-lo para fora através dessa mesma janela, enquanto a casa já estava tomada pelo fumo.

“Depois de termos colocado o meu outro filho no carro junto com a minha neta, e depois de toda a família já estar no exterior da vivenda, peguei na mangueira de jardim e comecei a apagar as chamas”, refere, indicando ainda que “os bombeiros chegaram mais ou menos nessa altura, não tenho nada que dizer, sei que não é perto de Vila Verde até aqui” No local, os Bombeiros de Vila Verde, e já com o fogo extinto, procederam à ventilação do espaço, que estava cheio de fumo denso.

Domingos Silva foi assistido no Hospital de Braga onde esteve dez horas a oxigénio e soro

Ao V, um dos bombeiros envolvidos no socorro apontou que “o homem foi um verdadeiro herói”. “Quando chegámos a casa estava completamente cheia de fumo denso, não se via nada”, aponta o bombeiro que também necessitou de receber assistência médica por causa da inalação de fumos.

Domingos Silva, em Ponte São Vicente, Vila Verde (c) Luís Ribeiro

Essa foi, aliás, a causa de ferimentos da família, acabando quatro elementos por receber assistência hospitalar pela inalação de fumo. Só Domingos Silva, esteve internado nas urgências cerca de 10 horas, tendo recebido três garrafas de oxigénio e outras tantas de soro.

Também Nuno Silva, filho que ajudou no resgate, foi assistido por inalação de fumos em conjunto com o irmão e a mãe. Só a nora e a bebé não precisaram de assistência.

Para além dos Bombeiros de Vila Verde com uma viatura de combate a incêndios urbanos e duas ambulâncias, também a GNR de Vila Verde se deslocou ao local.

Já Domingos Silva, em limpezas durante esta quarta-feira, espera que o seguro do empréstimo da casa lhe possa ajudar a cobrir alguns dos estragos. “Arderam duas arcas, dois frigoríficos, alguns móveis e toda a instalação elétrica”, contabiliza o morador em Ponte São Vicente, agora, desanimado e a fazer contas à vida.

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Jornalista