Elda Fernandes

Opinião. “A ética ambiental e Braga”

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Peter Singer, filósofo da ética, conhecido pelo “ utilitarismo de preferência” no seu livro “Ética Prática” apresenta um caso aos leitores, que consta na construção de uma empresa num determinado rio, seria possível, mas talvez demasiado longo explicar a construção do utilitarismo e a sua moral como regulador na análise de ambos os prismas de forma imparcial, mas certamente eu não seria a pessoa mais academicamente certa para o fazer, ao não passar de uma leitora, com especial atenção sobre questões éticas, por isso resumo a uma questão: Qual o direito do ser humano para destruir um local onde habitam outros seres sencientes? Pode-se analisar dois primas: a criação de postos de emprego na área energética, criação de serviços e a crescente necessidade de construção de habitações, por outro, a destruição de um espaço onde vivem seres sencientes, onde há árvores e um parque onde diariamente vários humanos e não humanos fazem várias atividades.

A escolha da fábrica, em prol do rio é uma escolha económica aliada à incapacidade governativa de defender mesmo que o é destituído do respeito pelo outro, sempre que a balança pesa para o lado económico e materialista beneficiando o consequente aumento da riqueza das pessoas ligadas à indústria (deste exemplo ou outro) estamos a decidir não apenas por nós, mas também pelo futuro da nossa sociedade e de todos os que connosco coabitam o planeta, hoje e amanhã.

Braga tem a nível ambiental várias situações, onde a ausência de medidas do executivo, ou decisões que visam o capitalismo coloca a cidade no topo das que apresentam a pior qualidade do ar no país, a par de várias áreas verdes subaproveitadas, abandonadas sem limpeza ou cuidados na reflorestação conscientes.

Os espaços verdes, ou a sua falta, não são a única questão ambiental preocupante, os rios que passam na cidade são alvo de vários problemas, o rio Cávado face à exploração energética dizimou a vida dos peixes, aumentou o caudal (acima do normal) que termina com o possível areal aprazível na época balnear, esta opção prende-se com o benefício de uma empresa privada de produção energética e fomenta o benefício de uma empresa náutica, igualmente privada. Outro exemplo é o Rio Este, entubado, poluído e redirecionado de acordo com as construções de uma cidade, que cresceu em urbanismo e diminui drasticamente a qualidade de vida dos seus habitantes a par das frequentes descargas ilegais que é habitualmente vítima.

Braga carece igualmente de programas a fomentar a reciclagem nos serviços públicos, não se pode continuar a ignorar a separação dos resíduos recicláveis, a Braval, empresa responsável pela recolha precisa de implementar ações de sensibilização para a reutilização a par de benefícios para quem o faz. A reflorestação, por sua vez, não pode ser transformada em eventos sem planeamento e sem acompanhamento, como é transversal na área circundante da cidade.

Uma cidade deve, do ponto de vista ético defender os seres sencientes e a sua envolvência, não é possível aceitar como razoável a ignorância dos direitos da natureza. Todos, diariamente consumimos informação sobre a gravidade das alterações climatéricas, milhares de estudos científicos mostram a realidade que no limite condenam toda a existência. O ser humano tem de centrar-se nos paradigmas atuais e abandonar a teoria antropocêntrica onde o homem objetivava tudo à sua volta.

Depende de cada um, e de todos, através da representação política trabalhar na construção de uma cidade amiga do ambiente onde escolhemos com base no bem estar do outro que também somos nós.

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