Mara Alves Opinião

Opinião. “Um Estado cego que prefere ameaçar em vez de agir…”

Mara Alves
Escrito por Mara Alves

Os incêndios de 2017 em Portugal provaram que todos somos negligentes. Porém, em algumas situações, de catástrofe e drama, considero sempre que ações de sensibilização e prevenção são mais benéficas do que opções de ameaça.

De que nos serve um Estado se em vez de ajudar os seus cidadãos, prefere ameaça-los? De que serve uma Autoridade Tributária, se em vez de colocar equipas no terreno, prefere usar o habitual sistema informático que descarrega milhares de emails automáticos quando grande parte vai para a caixa de spam dos seus contribuintes?

Para nada. Um Estado, um Governo, sejam eles quais forem, em democracia, não servem para nada se se desresponsabilizarem do seu papel.

É lamentável a forma como o Governo gere a alegada grande estratégia de prevenção de incêndios para o ano de 2018.

Como é possível pensar na reforma da floresta (muito importante em termos económicos e também de paisagem) virando costas a uma questão agrária há muito é adiada e agravada, cada dia que passa, por problemas demográficos insolúveis, com a galopantedesertificação do Interior e gritantes discriminações à volta do aprofundamento das assimetrias regionais. Outras questões como o cadastro da propriedade rústica e florestal, o “banco de terras”, os baldios, a concentração fundiária florestal, a “gestão ativa da floresta” e, ainda, a rentabilidade da produção florestal estão longe de estar resolvidas e, o que é pior, consensualmente assimiladas pelos portugueses.

Na realidade, parece inevitável que o enfrentar desta trágica situação passa pela urgência de começar a Regionalização.

Esta a “mudança estrutural” que os trágicos acontecimentos revelam. Na verdade, não é possível ultrapassar a tragédia com malabarismos orçamentais, sempre voláteis. A gestão orçamental será um instrumento mas a reforma tem outra dimensão.

Por fim coincidem, também, circunstâncias furtuitas que não devem ser negligenciadas. Os fogos que lavraram, durante o ano anterior, de forma endémica pelo País, justificam uma melhor análise e apuramento das circunstâncias. E o problema não será meramente técnico, mas antes um caso de polícia e o barulho habitualmente usado na política não deverá esconder, o esclarecimento dos factos registados no ano anterior.

É fundamental avançar com as reformas do Mundo Rural, onda a floresta está instalada. E deixo uma dica, não é com ameaças que se gere a floresta!

Comentários

Acerca do autor

Mara Alves

Mara Alves

Licenciada em Administração Pública