Editorial Opinião

Editorial. La Casa de Papel: versão Vila Verde

Segundo informações que me fizeram chegar (não, não foi carta anónima), aparentemente existe em marcha um plano para fazer um “assalto” aos Bombeiros Voluntários e à Santa Casa da Misericórdia de Vila Verde.

Muito embora as eleições para ambas sejam só no final do ano, as movimentações nos bastidores já começaram e há quem diga que tem mão “fernandista” no leme, na defesa de uma afirmação mais sólida dos sociais-democratas no poder em Vila Verde. Com o objetivo claro nas Autárquicas de 2021, entenderá a ala “fernandista” que é crucial para a eleição de Júlia Fernandes a “fidelidade” destas duas instituições concelhias.

Nos Bombeiros, a estratégia passará por fazer eleger Paulo Renato Rocha (atual vice-presidente desta instituição e chefe de gabinete de António Vilela na Câmara Municipal), que, segundo fonte próxima deste, já tem vários contactos efetuados de pessoas de sua confiança e que esta será uma “candidatura imbatível”, pois além de “conhecer os bombeiros como poucos” deverá contar com o apoio do atual presidente Carlos Braga.

Na Misericórdia, o plano parece ser na mesma linha, mas neste caso terão de afastar o atual provedor Bento Morais. José Manuel Fernandes, atual eurodeputado, poderá ser afastado das listas para o Parlamento Europeu por ter mostrado apoio a Santana Lopes nas últimas eleições internas do PSD (embora que discretamente) e verá com bons olhos a Misericórdia para poder continuar a fazer política.

Em ambos os casos, a estratégia poderá ser reunir o máximo de apoiantes afectos ao PSD, colocar quem não o é sócio destas duas instituições para que possa ser possível controlar as eleições.

Curioso também, indo ao encontro da necessidade desta ala “fernandista” afastar Bento Morais da Santa Casa de Vila Verde, esta última “notícia” publicada no Jornal de Notícias desta segunda-feira, dando conta que o Ministério Público investiga uma denúncia (que é anónima, facto que o jornalista decidiu omitir) contra Bento Morais e a sua gestão. Sabem o que é mais curioso ainda? É que Bento Morais, nos seus vinte anos à frente da Misericórdia deixa um tesouro valiosíssimo aos vila-verdenses: a sua obra e o seu feito é inegável (e invejável!). A Santa Casa e o Hospital são uma referência a nível nacional, sendo constantemente citada pela imprensa nacional e internacional pelos serviços que presta e pelos profissionais que lá trabalham. Parece-me (alguém que me corrija se estiver enganado) que o provedor não tem quintas nem casas de praia. Há quem as tenha (nem que seja em nome de familiares)!

Relativamente à moda intrínseca que existe em Vila Verde, se eu enviar uma carta anónima ao Ministério Público a dizer que político X vai todas as semanas à Bélgica com duas malas, uma com dinheiro vivo outra cheia de droga, será que há jornalistas que peguem nisto? Ou será mais uma forma podre de difamar alguém deliberadamente protegendo-se cobardemente no anonimato? É que na carta anónima, o seu conteúdo seja verdade ou não, é óbvio que o Ministério Público investiga. Não faz desse político um criminoso, é apenas o mecanismo de um estado democrático a funcionar.

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Paulo Moreira Mesquita

Paulo Moreira Mesquita

Diretor Semanário V