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Ferdinand Trambouze. De França até Braga para desenhar a burrinha em andamento

Ferdinand Trambouze (c) FAS / Semanário V
Fernando André Silva

A paixão em estado puro leva a que Ferdinand Trambouze, francês de Angoulême, viaje pela Europa para desenhar a cultura e as tradições de diferentes regiões. Esta quinta-feira, atraiu a atenção de muitos populares enquanto acompanhava a Procissão da Burrinha de papel e carvão na mão.

O Semanário V falou com o jovem francês e acompanhou parte do trabalho, enquanto Ferdinand ia desenhando e caminhando a par da “Belinha”, burra deste ano da procissão. A atividade acaba por ser complicada devido ao rápido andamento da procissão na parte final, onde o artista tinha mais visibilidade. O esboço, esse, será terminado à posteriori e depois divulgado.

Esboço da burrinha por Ferdinand Trambouze (c) FAS / Semanário V

De França, veio à boleia por diferentes países, chegando há poucos dias a Braga. “Conheci muita gente boa pelo caminho e quando cheguei a Braga, achei a atmosfera muito boa e amigável”, refere Ferdinand que aproveitou também para expor um pouco dos conhecimentos de desenho através de giz, nas ruas do centro histórico.

“As pessoas foram falando comigo e foram muito amigáveis. Começaram a dizer que tinha de ficar para as procissões e para tudo isto que acontecia e resolvei ficar”, confessa, nada arrependido.

“É um momento brutal. Esta história, a forma como a retratam e as pessoas todas à volta… Para mim também é um bom exercício, tentar desenhar o momento. As pessoas vêm-me a trabalhar e isso também é bom. Não sei explicar a sensação que sinto ao desenhar esta procissão, só sei dizer que é muito bom”, vinca Trambouze, desvendando um pouco da cortina da vida de um artista de rua.

“Eu viajo e desenho. É a minha paixão. Conhecer e retratar outras culturas é para mim um verdadeiro desafio e a já referida paixão acentua-se quando encontro traços culturais para desenhar”, explica o artista que… não sabe bem se é artista. “Não sei se sou um artista”, diz, respondendo à questão se a designação “artista de rua” seria a mais apropriada.

Ferdinand Trambouze (c) Facebook / DR

“Faço desenhos de giz na rua mas isso não faz de mim nem um artista e muito menos um artista de rua. Só que gosto de desenhar na rua, é outra paixão que tenho. A relação com quem vê a arte é muito mais humana e é mesmo por isso que por vezes estou na rua. Mas outras vezes desenho em algum lugar”, aponta Ferdinand, enquanto pede licença para acompanhar mais um pouco da procissão para poder captar a essência dos quadros e, sobretudo, da “Belinha”, que este ano teve direito a esboço internacional em pleno andamento.

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Jornalista