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Amares. Barcas de madeira voltaram a transportar as cruzes de Fiscal

Páscoa em Fiscal 2018 (c) Luís Ribeiro / Semanário V
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Escrito por Redação

O período pascal trouxe centenas de diferentes atividades nos concelhos de Braga, Vila Verde e Amares, preenchendo o imaginário de crentes e não crentes que, nestes dias, se juntam para assinalar a morte e resurreição de Jesus Cristo.

No entanto, uma das tradições mais peculiares deste período pascal na zona do Cávado é mesmo no concelho de Amares, com a travessia das barcas com a cruz pascal.

Esta tradição secular, que ninguém consegue apontar uma data de início, começou para unir duas localidades da freguesia de Fiscal, uma vez que apenas de barco se conseguia “passar” as cruzes para a outra margem.

O Semanário V falou com a entidade máxima deste ano para estas festas, Sameiro Abreu, que ocupou o lugar de “mordoma” da edição 2018 da Páscoa de Fiscal e que explicou um pouco desta tradição, na qual estiveram envolvidos todos os habitantes e representantes institucionais daquela freguesia.

Sameiro Abreu (mordoma) (c) Luís Ribeiro / Semanário V

Sameiro explica que a travessia de barco vem de uma tradição antiga para unir o lugar de São Bento das Pedras ao lugar do Rio, que estão separados pelo rio Homem.

“De referir que antigamente não existia uma ponte que unisse esses dois lugares. Portanto, a única maneira de unir as duas margens do rio Homem era a utilização de barcas de madeira”, explica Sameiro, que não sabe precisar a data de início. “É uma tradição muito antiga, mas que perdura no tempo mesmo após a construção da ponte de Fiscal”.

“Essa particularidade fez com que a nossa terra se distinga das outras nesta quadra pascoal”, refere ainda a responsável, deixando um “grande bem haja” a todos que ajudam a que esta tradição se mantenha. “É graças aos habitantes de Fiscal. sem esquecer o senhor pároco e a junta de Freguesia de Fiscal, que tudo fazem para continuar com esta tradição”, finaliza.

Páscoa em Fiscal 2018 (c) Luís Ribeiro / Semanário V

E este ano, apesar de alguns períodos com aguaceiros ligeiros, foram muitos os que acorreram às margens do Homem para ver a tradicional travessia que enche de orgulho a “mordoma” mas também todos os habitantes daquela freguesia.

“Como emigrante, tenho sempre muito orgulho em mostrar aos meus amigos estrangeiros imagens da minha terra, do património cultural, religioso e histórico do meu país e, sendo mordoma deste ano para a Páscoa de Fiscal, com certeza que vou mostrar imagens, gravações desta linda tradição religiosa. Os estrangeiros veem-nos como um povo bastante acolhedor, religioso e muito festivo e isso é reflexo das nossas tradições”, finaliza.

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