Opinião Paula Ferreira

Opinião: “Tenho ‘pintas’ no corpo. Será sarampo?!”

Paula M. Ferreira
Escrito por Paula M. Ferreira

Várias noticias ao longo das últimas semanas têm dado conhecimento ao público português da ocorrência de vários casos de sarampo no norte do país. Desde então há várias perguntas que nos podemos fazer: “O que é o sarampo? É grave? O que posso fazer para me proteger?”

O sarampo é uma doença infecto-contagiosa, que se transmite através das vias aéreas, por gotículas ou aerossóis ou através do contato direto com secreções dos indivíduos afetados. O período de incubação (ou seja, o período em que o vírus permanece no organismo sem se manifestar) é de cerca de 10 dias. A doença começa a manifestar-se (período prodrómico, que dura cerca de 6 dias) por febre, mal estar geral, sensação de estar “constipado”, conjuntivite e fotofobia e aparecem as manchas de Koplik na mucosa oral. Após esta fase, surge a fase exantemática, que se carateriza pelo aparecimento de erupções maculo-papulares avermelhadas, que se iniciam na face e região retroauricular e que se estendem depois ao tronco. Estas “manchas” persistem cerca de 5 a 6 dias. Após esta fase, segue-se o período de convalescença no qual as manchas começam a descamar e a desaparecer. Na maioria dos casos, esta é uma doença benigna e auto-limitada.

Apesar da Organização Mundial de Saúde (OMS) ter estabelecido a meta para a eliminação do sarampo dos países europeus até 2020, desde 2010 tem-se verificado um ressurgimento desta doença em vários países europeus. De facto, em 2017 foi emitido um alerta pela OMS devido ao número crescente de casos em vários países europeus. Dado o fluxo migratório das populações (massificação das viagens) e os movimentos “anti-vacinas” muito em voga nos últimos anos, torna-se extremamente difícil prever a evolução da transmissão da doença.

A melhor forma de prevenir e erradicar esta doença é através da vacinação. De facto o programa nacional de vacinação inclui a vacinação de todas as crianças aos 12 meses e aos 5 anos de idade. Prevê-se que a grande maioria dos portugueses esteja já vacinado ou, por outro lado, tenha sofrido a doença na infância, estando assim protegida, o que de certa forma mantém a doença circunscrita a grupos populacionais restritos.

Mas atenção… nem todas as doenças que cursam com “pintas” e febre correspondem a sarampo! O diagnóstico diferencial faz-se com a varicela, escarlatina, exantema súbito, rubéola, entre outros. Se tem dúvidas quanto ao diagnóstico ou se está preocupado porque não sabe se está vacinado, deve contactar o seu médico ou enfermeiro de família. Eles saberão seguramente ajudá-lo!

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Paula M. Ferreira

Médica especialista em Medicina Geral e Familiar