Vila Verde

Óbito. Augusto Sousa morreu aos 102 anos. Era dos homens mais antigos de Vila Verde

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Morreu este domingo, aos 102 anos, um dos homens mais antigos ainda vivos do concelho de Vila Verde.

Augusto Sousa, natural e a residir na freguesia de Nevogilde, tinha sido recentemente entrevistado pelo Semanário V, aquando do centésimo-segundo aniversário.

Recorde a reportagem publicada em janeiro de 2018:

Percorrendo os caminhos estreitos do interior da freguesia de Nevogilde, em Vila Verde, conseguimos encontrar a habitação de Augusto Pereira de Sousa, que está prestes a atingir a idade de 102 anos nesta quinta-feira. Mas ao posto de ser dos mais velhos do concelho, Augusto nega. “Tenho 81”, refere, a tentar disfarçar a gargalhada. “Está bem, vou fazer 102”, acede.

Histórico vila-verdense, foi recentemente alvo de atenção mediática ao ter ido votar com a idade de 101 anos, nas últimas eleições. Mas, e embora limitado por alguma surdez, a verdade é que Augusto ainda consegue fazer “muita coisa” que conseguia “antigamente”.

“Para chegar a esta idade fiz muitas gaiolas para meter canários”, diz, revelando no entanto que a profissão de agricultor e de lagareiro que lhe ocupou grande parte da vida. “Essa parte de fazer gaiolas é brincadeira”.

“A minha profissão era trabalhar em tudo. Andava a tapar águas nos campos toda a noite, durante o inverno. Deitava-me às 5h da madrugada, passava a noite sem ir à cama”, conta o agricultor de Nevogilde que depois trabalhou no azeite. “Só ganhava 32 escudos por dia, era uma miséria”, conta.

Mulheres? “Tive duas… a primeira morreu, era muito doente e só tive filhos da segunda que era parente da primeira”, explica o pai de seis, avô de 14 e bisavô de nove.

“Ainda consegui ter uma família grande”, brinca Augusto, que passa agora o tempo de reforma a… ler. “Leio muito, leio a bíblia e revistas e livros de Fátima e sobre Deus. É muito importante para mim”, refere o ancião, pouco habituado aos tempos modernos. “Agora ninguém quer trabalhar no campo, isso era para os velhos”, ironiza ainda Augusto.

Mas Augusto ocupa o tempo com outras coisas. “Agora mato uma pulga se me morder, ou uma mosca”, diz, animado, alertando que “hoje” já deu um passeio até a um Banco.

“Ainda hoje fui assinar um cheque ao banco. Eu dantes assinava em casa mas um dia disseram-me que se me roubassem pelo caminho podiam levantar tudo e por isso agora só assino lá no banco”, conta. “É que o mundo está cheio de gatunos e gatunos houveram toda a vida. O que tenho aprendido é que mesmo quando morre a avó, a mãe, o pai, a semente fica na mesma e os gatunos também. O mundo não vai para melhor. Não vai, não”, diz.

Há muitos anos comprei uma arma para me defender dos gatunos e no posto da GNR disseram-me que tinha de a ter “enganchada” em casa e que não a podia usar”, conta. “Para isso comprava uma de imitação”.

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